Desenvolvimento sustentável: decifra-me ou te devoro. Análise sobre o desenvolvimento sustentável no modo de produção capitalista

Detalhes bibliográficos
Ano de defesa: 2017
Autor(a) principal: Whitacker, Guilherme Magon [UNESP]
Orientador(a): Não Informado pela instituição
Banca de defesa: Não Informado pela instituição
Tipo de documento: Tese
Tipo de acesso: Acesso aberto
Idioma: por
Instituição de defesa: Universidade Estadual Paulista (Unesp)
Programa de Pós-Graduação: Não Informado pela instituição
Departamento: Não Informado pela instituição
País: Não Informado pela instituição
Palavras-chave em Português:
Link de acesso: http://hdl.handle.net/11449/150194
Resumo: Esta pesquisa teve por escopo verificar a hipótese de que o desenvolvimento sustentável está sendo utilizado como estratégia para a reprodução do modo de produção capitalista. Para esta verificação elencamos como objeto de estudo uma política pública implementada no estado de São Paulo com o objetivo de realizar ações de promoção do desenvolvimento territorial rural sustentável - o Programa Estadual de Microbacias Hidrográficas (PEMH). Esta política pública foi financiada pelo Grupo Banco Mundial, um dos articuladores do processo de reprodução do modo de produção capitalista em escala global. Para averiguarmos a hipótese, contrapomos a concomitância entre o desenvolvimento do PEMH ao intenso processo de expansão do setor sucroenergético no estado de São Paulo, significando profunda contradição. Utilizamos procedimentos metodológicos que permitiram averiguar a materialidade do desenvolvimento sustentável e também aspectos imateriais, especialmente a prática discursiva e ideológica que permitiu que o desenvolvimento sustentável fosse amplamente aceito sem maiores questionamentos. Implementar ações que utilizam a ideia de desenvolvimento sustentável se tornou uma prática comum articulada à normatização, monopolização do território e territorialização das relações sociais de produção capitalista. Assim, o território se apresenta como lócus dos conflitos em torno da posse, do uso e do controle de recursos naturais enquanto mercadoria essencial para a reprodução do modo de produção capitalista. No caso estudado nesta tese, apesar de o PEMH trazer resultados pontuais positivos em relação à proteção de mananciais, por exemplo, se analisada a questão em uma perspectiva escalar e estrutural que considere o agronegócio sucroenergético como uma das formas mais expressivas do capital no campo e o Grupo Banco Mundial como agente articulador da reprodução capitalista em escala global e que propõe políticas públicas baseadas um modelo de desenvolvimento sustentável local, o desenvolvimento sustentável em nada altera a lógica predatória e insustentável do modo de produção capitalista.