Educação histórica na perspectiva de jörn rüsen: limites, Possibilidades e desafios de uma experiência no ensino médio

Detalhes bibliográficos
Ano de defesa: 2016
Autor(a) principal: Rodrigues, Lisiane Sales
Orientador(a): Não Informado pela instituição
Banca de defesa: Não Informado pela instituição
Tipo de documento: Dissertação
Tipo de acesso: Acesso aberto
Idioma: por
Instituição de defesa: Não Informado pela instituição
Programa de Pós-Graduação: Não Informado pela instituição
Departamento: Não Informado pela instituição
País: Não Informado pela instituição
Palavras-chave em Português:
Link de acesso: http://bibliodigital.unijui.edu.br:8080/xmlui/handle/123456789/5044
Resumo: O ensino-aprendizagem da História encontra-se em um caminho de descobertas. Novas formas didáticas de desenvolver e identificar o conhecimento do aluno sobre história são estudadas a partir da Alemanha pelo filósofo e historiador Jörn Rüsen. Em outros países também existem grupos pesquisadores que empenham-se em provocar transformações na área do ensino da disciplina na mesma linha do intelectual germano. Dessa maneira Rüsen e os demais autores propõem trabalhar na perspectiva da Educação Histórica, a qual tem como finalidade desenvolver a consciência histórica dos sujeitos da aprendizagem. Tomando esse campo teórico como referência foi desenvolvida esta dissertação, a qual tem objetivo geral conhecer os limites, possibilidades e desafios de ensinar História, a uma turma de primeiro ano do Ensino Médio, segundo os princípios da Educação Histórica de Jörn Rüsen. Pautada em esse objetivo a pesquisa empírica foi desenvolvida, em uma pequena escola da região noroeste do estado do Rio Grande do Sul, com uma turma de trinta e seis alunos do primeiro ano do Ensino Médio. Os procedimentos metodológicos para desenvolver a pesquisa sobre a experiência de ensino-aprendizagem tiveram como base teórica a autoetnografia, pois tratouse de uma investigação sobre própria prática em sala de aula. As atividades de ensinoaprendizagem foram planejadas e desenvolvidas conforme o método da aula oficina, com o intuito de propiciar aos educandos situar-se na história de seu lugar e seu cotidiano a partir de investigações orientadas, produções textuais e socializações dos trabalhos, compartilhando os conhecimentos com demais alunos da turma. Para a realização das análises foi utilizada a metodologia de codificação aberta de Strauss e Corbin (2008), a qual auxilia no processo de identificação da intencionalidade de expressão do sujeito. O processo de leitura e interpretação das produções foi realizado com doze alunos da turma (36 alunos). Os limites identificados durante o processo de ensino de História, a partir da proposição da Educação História, mostraram-se em três âmbitos: (a) minha experiência de ensino/aprendizado como professora (b) a importância dada à disciplina pelos sujeitos da escola – docentes e direção e (c) a relação que os alunos haviam estabelecido com a disciplina, uma herança do Ensino Fundamental. Durante o processo voltado a Educação Histórica, percebi as possibilidades dicotômicas encontradas pelo caminho, considerando a defesa da continuidade pelos agentes escolares – direção, docentes e alunos -, e a quebra desses paradigmas proposta em uma nova forma dos sujeitos vivenciarem suas histórias. No momento em que levei a provocação para o olhar crítico ao seu entorno, a proposta era a de que pensassem os problemas presentes, a partir de suas situações econômicas e sociais. A forma de estabelecer um julgamento, percebendo que valores éticos eram distorcidos, levou-os a terem posições de enfrentamento e questionamento. Porém o receio não pode ser negado, assim, no momento em que teriam que narrar essa competência prática, parte deles sentiam-se comprometidos em não externar novamente suas manifestações. Identificar os desafios que o processo apresentou, foi necessário avaliar os limites e as possibilidades, primeiro o meu desafio pessoal, a minha inexperiência, o planejamento e as atividades propostas; segundo os desafios apresentados pela escola e terceiro os alunos como desafiantes e desafiados. As tradições locais impunham barreiras que adentravam os muros da escola, o que por vezes tornou-se um desafio para desenvolver o estudo. Através da aprendizagem histórica, desafiei os alunos a transporem estas barreiras, pois seriam eles a mudar as condições sociais impostas em Antares. Assim estes jovens tiveram que construir um quadro histórico partindo de uma identificação histórica não constituídas, por vezes inexistente, de um conteúdo que não haviam estudado. Compreendi que não podemos definir a existência de uma consciência histórica plena, a matriz disciplinar nos mostra e também considerando que a História é uma ciência em eterna construção.