A influência de abolicionistas e escravocratas brasileiros na atuação de uma organização bancária no século XIX

Detalhes bibliográficos
Ano de defesa: 2018
Autor(a) principal: Biscaia, Pedro lattes
Orientador(a): Vizeu, Fábio lattes
Banca de defesa: Não Informado pela instituição
Tipo de documento: Dissertação
Tipo de acesso: Acesso aberto
Idioma: por
Instituição de defesa: Universidade Positivo
Programa de Pós-Graduação: Programa de Pós-Graduação em Administração
Departamento: Pós-Graduação
País: Brasil
Palavras-chave em Português:
Área do conhecimento CNPq:
Link de acesso: https://repositorio.cruzeirodosul.edu.br/handle/123456789/1905
Resumo: Estudos organizacionais com viés histórico buscam a compreensão dos fenômenos através de uma perspectiva de contextualização histórico-cultural do objeto de estudo. Esse posicionamento epistemológico rompe com presentismo e universalismo, típicos das análises funcionalistas. Assim, a produção do conhecimento sobre determinada organização perpassa pela compreensão da construção do contexto histórico e social específico pesquisado. A partir desta abordagem, estudos organizacionais sobre empresas brasileiras estão relacionados com o entendimento sobre a história e formação econômica, social e política do país. A história do Banco do Brasil está intimamente relacionada com a história do Brasil. Desde sua primeira fundação, houve uma grande influência do Estado e de grupos políticos em sua administração. Este trabalho analisou a influência dos escravocratas e abolicionistas, durante o século XIX, na forma de atuação do Banco do Brasil. A pesquisa foi construída a partir de revisão bibliográfica de obras sobre o tema e de pesquisa em jornais da época. Após o fim do direito de exercer a função de banco emissor, o Banco do Brasil direcionou sua atuação para o financiamento agrícola hipotecário. Nestas operações, pessoas escravizadas eram formalmente atreladas aos contratos entre o banco e seus devedores. Em casos de inadimplência, o banco executava as dívidas leiloando os bens dados em garantia. Grande parte do financiamento agrícola neste período era garantido pela hipoteca de escravos. O crescimento dos movimentos abolicionistas e a emancipação dos escravos aumentou a inadimplência de contratos desta natureza e, consequentemente, o banco suspendeu o financiamento agrícola até a solução definitiva da questão da escravidão. A relação entre os interesses do banco, do Estado e da elite agrária escravocrata brasileira foram apresentadas no decorrer da pesquisa. Este contexto foi fundamental para o entendimento sobre as práticas do Banco do Brasil no período e suas decisões gerenciais específicas. Questões relacionadas a escravidão geraram impactos sociais no país até os dias de hoje. O Banco do Brasil fez parte desta história e atualmente adota práticas organizacionais voltadas para a equidade racial.