O capital cultural nas interações familiares e a sua relação com o desempenho acadêmico dos alunos

Detalhes bibliográficos
Ano de defesa: 2024
Autor(a) principal: Nunes, Alexandre Chaves
Orientador(a): Não Informado pela instituição
Banca de defesa: Não Informado pela instituição
Tipo de documento: Tese
Tipo de acesso: Acesso aberto
Idioma: por
Instituição de defesa: Não Informado pela instituição
Programa de Pós-Graduação: Não Informado pela instituição
Departamento: Não Informado pela instituição
País: Não Informado pela instituição
Palavras-chave em Português:
Link de acesso: http://repositorio.unb.br/handle/10482/51864
Resumo: A presente tese como objetivo principal verificar a relação que o capital cultural, adquirido a partir as interações que ocorrem no ambiente familiar, tem no desempenho acadêmico dos alunos. Para alcançar esse objetivo foi necessário também elaborar e obter evidências de validade de um instrumento criado para esse propósito específico. O instrumento foi construído a partir de duas dimensões do capital cultural, a saber: Capital Cultural Estático (CCE) e Capital Cultural Relacional (CCR). No processo de construção e busca de evidências de validade com base no conteúdo, o instrumento foi submetido a análise de juízes, na qual estes classificaram os itens de acordo com a relevância e pertinência em cada dimensão. Também foram realizadas análise semântica e com o público-alvo. Dos 26 itens que compunham o instrumento, 16 passaram por algum tipo de revisão, buscando sempre a melhoria do instrumento como um todo. A etapa seguinte foi verificar se havia evidências de validade com base na estrutura interna. A Análise Paralela indicou os dois fatores previstos: CCE e CCR. Para verificar a consistência interna de cada dimensão, foi calculado o lambda 2 de Guttmam assumindo os valores de 0,702 e 0,845, respectivamente. Calculamos os índices UniCO = 0,787, ECV = 0,669 e MIREAL = 0,318. Fizemos uso da Análise Fatorial Exploratória e Análise Fatorial Confirmatória Parcial. Os índices de ajustes CFI = 0,946 e TLI = 0,935, e o índice de resíduo RMSEA = 0,053, as análises de consistência interna, de determinância e replicabilidade dos escores fatoriais nos indicaram evidências de validade para a utilização da Escala de Capital Cultural nas Interações Familiares. O instrumento foi aplicado, de forma eletrônica, a 11.795 estudantes do 5° ano do Ensino Fundamental que pertenciam a uma rede de escolas presente em todas as cinco (5) grandes regiões do Brasil. Junto com a escala de capital cultural, os alunos realizaram uma avaliação de conhecimentos em língua portuguesa e matemática e responderam a um questionário sociodemográfico. Os alunos foram classificados pelo nível de capital cultural que possuíam em cada dimensão. As categorias foram: níveis de capital cultural, em cada uma das duas dimensões: G1 – Crítico, G2 – Baixo, G3 – Médio e G4 – Alto. Análises estatísticas como ANOVA, teste t de Student e delineamento fatorial mostraram a relação do capital cultural na combinação dos diferentes grupos com as disciplinas de língua portuguesa e matemática. Os resultados nos levaram a concluir que: 1) o capital cultural, em ambas as dimensões, prediz o desempenho acadêmico dos alunos, tanto em língua portuguesa, F(3, 11764) = 9,516 com p < 0,001 e η 2 = 0,002, F(3, 11764) = 42,349, com p < 0,001 e η 2 = 0,011, quanto em matemática, F(3, 11764) = 13728, com p < 0,001 e η 2 = 0,003, e F(3, 11764) = 28,138, com p < 0,001 e η 2 = 0,007, e; 2. que o capital cultural relacional prediz linearmente no rendimento dos alunos à medida que é aumentado o capital cultural estático, F(9, 11771) = 1,869, com p = 0,052 e η 2 = 0,001. Finalmente, consideramos o capital cultural de forma coletiva, comparando a variabilidade do capital cultural entre as escolas participantes da pesquisa. Para isso, realizamos uma análise de regressão multinível. Os resultados mostraram que o capital cultural relacional coletivo respondeu por 9,4% da variância no desempenho de matemática e 9,2% do desempenho de língua portuguesa. O estudo ainda constatou que quando adicionamos na equação outras variáveis contextuais, como sexo, escolaridade dos pais, o fato dos pais morarem com os filhos e o tempo em que o aluno já estudava na escola, a variância do desempenho passou a ser 18,2% e 13,5% em matemática e em língua portuguesa, respectivamente. Assim, percebemos que o capital cultural coletivo, associado às variáveis contextuais respondem por uma parte do desempenho acadêmico dos alunos. Dessa forma, concluímos que o capital cultural a partir das interações familiares é preditor do desempenho acadêmico dos alunos.