Formas de inserção da pessoa com deficiência em sociedades rurais da Zona da Mata mineira

Detalhes bibliográficos
Ano de defesa: 2012
Autor(a) principal: Cuco, José Luiz
Orientador(a): Não Informado pela instituição
Banca de defesa: Não Informado pela instituição
Tipo de documento: Dissertação
Tipo de acesso: Acesso aberto
Idioma: por
Instituição de defesa: Universidade Federal de Viçosa
BR
Instituições sociais e desenvolvimento; Cultura, processos sociais e conhecimento
Mestrado em Extensão Rural
UFV
Programa de Pós-Graduação: Não Informado pela instituição
Departamento: Não Informado pela instituição
País: Não Informado pela instituição
Palavras-chave em Português:
Link de acesso: http://locus.ufv.br/handle/123456789/4181
Resumo: Esta pesquisa teve como objetivo analisar as formas de sociabilidade e as possibilidades de inserção na sociedade rural dos educandos com deficiência intelectual e múltipla que frequentavam as APAEs Rurais de Viçosa, Visconde do Rio Branco e Ubá, três municípios da Zona da Mata, no estado de Mina Gerais, na região sudeste do Brasil. Partiu-se, neste estudo, da hipótese de que a inserção da pessoa com deficiência na sociedade rural se daria para além do espaço doméstico em decorrência do meio rural se constituir em um espaço de sociabilidade no qual a produtividade e a competitividade não se notariam como na cidade. Assim, buscou-se, nesta dissertação analisar como se estabeleciam as redes de sociabilidade e as possibilidades de inserção das pessoas com deficiência em sociedades rurais. O interesse por conhecer e analisar o campo de possibilidades com o qual as pessoas deficientes contavam para o estabelecimento de sua interação na sociedade rural surgiu em função da existência de uma expressiva porcentagem de deficientes no meio rural, os quais têm sido pouco retratados ao largo dos estudos realizados, quase sempre, nas cidades. Buscou-se analisar, ainda, as possibilidades de autonomia e independência do educando com deficiência formado nas APAEs Rurais para enfrentar os desafios da vida e do trabalho. As APAEs Rurais foram escolhidas por oferecerem serviço de formação para o trabalho junto às pessoas com deficiência visando a sua inclusão social. A pesquisa de campo foi realizada por meio de um survey aplicando questionário com perguntas semiestruturadas, com questões abertas e fechadas, aos 159 educandos com deficiência intelectual, matriculados nas três APAEs Rurais pesquisadas. As principais variáveis observadas foram a escolaridade do educando e de seus pais; profissão dos pais; renda familiar; tipo de deficiência; cursos realizados e atividades produtivas, entre outras. Os profissionais que atuavam nessas instituições contribuíram com este estudo respondendo sobre os cursos ofertados e se estavam compatíveis para qualificar os alunos para atender às exigências do mercado de trabalho. Nas empresas que empregavam os alunos das APAEs estudadas, o pesquisador fez entrevistas para saber das empresas a percepção que tinham sobre os deficientes que empregam, oportunidade em que entrevistou os trabalhadores que se qualificaram nos cursos oferecidos nas APAEs estudadas. Na pesquisa de campo, também foram entrevistadas as famílias dos educandos deficientes que residiam na zona rural. Em termos de conclusões gerais percebeu-se que o deficiente no meio rural tinha maior amplitude de participação social do que na cidade. Segundo os relatos dos pais dos deficientes, estes eram vistos na sociedade rural como diferentes, mas a diferença entre os rurais era vista como algo da vida, como normal, assim, os deficientes tinham uma vida mais participativa, integrada, sem restrições, mais solta. No entanto, a pesquisa de campo no meio rural foi importante, também, para se perceberem outros aspectos sociais em relação às pessoas com deficiência e ainda com relação às que cuidam da pessoa com deficiência, no que diz respeito à precariedade dos serviços básicos de saúde e de transporte prestados a essa população.