Mamíferos em unidades de conservação na região do Cristalino, Mato Grosso – composição, estrutura e avaliação de impactos ambientais
Ano de defesa: | 2010 |
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Autor(a) principal: | |
Orientador(a): | |
Banca de defesa: | |
Tipo de documento: | Tese |
Tipo de acesso: | Acesso aberto |
Idioma: | por |
Instituição de defesa: |
Universidade Federal de Viçosa
BR Manejo Florestal; Meio Ambiente e Conservação da Natureza; Silvicultura; Tecnologia e Utilização de Doutorado em Ciência Florestal UFV |
Programa de Pós-Graduação: |
Não Informado pela instituição
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Departamento: |
Não Informado pela instituição
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País: |
Não Informado pela instituição
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Palavras-chave em Português: | |
Link de acesso: | http://locus.ufv.br/handle/123456789/542 |
Resumo: | Este estudo foi desenvolvido nas Reservas Particulares do Patrimônio Natural Cristalino e Lote Cristalino (7.209,4 ha) e no Parque Estadual Cristalino (184.900 ha). Essas unidades de conservação são contíguas e estão localizadas no extremo centronorte do estado do Mato Grosso, em locais considerados prioritários para a conservação, em função da alta biodiversidade e endemismos, além da elevada pressão antrópica, por se encontrarem no “arco do desmatamento da Amazônia”. Desta forma, este trabalho objetivou conhecer, avaliar e comparar a estrutura das populações de mamíferos de médio e grande porte, em termos de riqueza e abundância das espécies em ambientes sem turismo e com atividades de ecoturismo na região do Cristalino. Além disto, buscou-se estimar a densidade populacional de primatas e de outros mamíferos de médio e grande porte de hábitos noturnos, bem como propor recomendações para a condução de amostragem noturna de distâncias em transectos lineares. Para tanto, no período compreendido entre maio de 2008 a fevereiro de 2010 foram amostrados ambientes com floresta primária, os quais apresentavam dois níveis de perturbação antrópica: sem turismo e com atividades de ecoturismo. Os dados foram coletados utilizando a amostragem de distâncias em transectos lineares, que totalizou 468,3 km percorridos nos períodos diurno e noturno, e o registro de pegadas em parcelas previamente preparadas (n = 660 parcelas vistoriadas), além de percursos fluviais no rio Cristalino e buscas aleatórias nos locais onde não ocorriam caminhos. Registros de 38 espécies de mamíferos simpátricas foram obtidos, sendo 34 de médio e grande porte e quatro de pequeno porte. Não houve diferença estatisticamente significativa na riqueza em espécies dos ambientes sem turismo e com ecoturismo, sendo que a similaridade de espécies entre eles foi alta (94%). No entanto, três táxons apresentaram abundância inferior nos ambientes com turismo: cutia Dasyprocta leporina (Linnaeus, 1766), veados Mazama spp. e tatu-15-quilos Dasypus kappleri Krauss, 1862. Sete espécies simpátricas de primatas foram registradas e cinco delas tiveram suas densidades populacionais estimadas. Macaco-prego Cebus apella (Linnaeus, 1758) foi o primata mais abundante (densidade – D = 5,27 grupos/km2; intervalo de confiança - IC = 4,11 – 6,75), porém não houve diferença estatisticamente significativa entre os valores estimados de densidade de grupos para coatá-de-cara-branca Ateles marginatus (É. Geoffroy, 1809) (D = 1,39 grupos/km2; IC = 0,91 – 2,11), cuxiú Chiropotes albinasus (Geoffroy & Deville, 1848) (D = 1,03 grupos/km2; IC = 0,62 – 1,72), mico Mico emiliae (Thomas, 1920) (D = 2,03 grupos/km2; IC = 1,07 – 3,86) e zogue-zogue Callicebus moloch (Hoffmannsegg, 1807) (D = 1,47 grupos/km2; IC = 0,77 – 2,78). Em levantamentos noturnos nove espécies de mamíferos de médio e grande porte foram registradas, das quais três tiveram suas densidades populacionais estimadas: jupará Potos flavus (Schreber, 1774) (D = 7,08 indivíduos/km2; IC = 3,99 – 12,57), paca Cuniculus paca (Linnaeus, 1766) (D = 8,13 indivíduos/km2; IC = 4,12 – 16,06) e veado-mateiro Mazama americana (Erxleben, 1777) (D = 4,43 indivíduos/km2; IC = 2,39 – 8,22). Percebe-se, portanto, que o impacto negativo das atividades de ecoturismo desenvolvidas na área de estudo foi de pequena magnitude, em termos de riqueza e abundância de mamíferos de médio e grande porte. Assim, empreendimentos de ecoturismo se apresentam como importante atividade econômica a ser desenvolvida em áreas com potencial turístico na Amazônia. Além disto, a amostragem de distâncias em transectos lineares se mostrou uma ferramenta aplicável para estimar a densidade populacional de mamíferos de hábitos noturnos, desde que se tomem alguns cuidados na condução dos levantamentos, no intuito de cumprir as premissas teóricas do método. |