Meios de Vida em um contexto semiárido: Aspectos culturais, sociopolíticos e perceptivos da relação homem-ambiente

Detalhes bibliográficos
Ano de defesa: 2015
Autor(a) principal: Dourado, Graziela Freitas
Orientador(a): Não Informado pela instituição
Banca de defesa: Não Informado pela instituição
Tipo de documento: Dissertação
Tipo de acesso: Acesso aberto
Idioma: por
Instituição de defesa: Universidade Federal de Viçosa
Programa de Pós-Graduação: Não Informado pela instituição
Departamento: Não Informado pela instituição
País: Não Informado pela instituição
Palavras-chave em Português:
Link de acesso: http://www.locus.ufv.br/handle/123456789/7294
Resumo: O semiárido como um todo e, sobretudo, o ambiente natural semiárido está vinculado a inúmeros valores estéticos e morais. Partindo-se da utilização das palavras sertão e semiárido como sinônimas, percebe-se que, na maioria das vezes, em se falando de senso comum brasileiro, estes valores estão agregados a imagens estereotipadas e pejorativas. Esta pesquisa teve como objetivo melhor compreender a percepção do ambiente por parte da população do município de Marcionílio Souza, localizado na região semiárida do estado da Bahia. A utilização do termo ambiente faz referência ao ambiente natural, de acordo com os mesmos preceitos dos autores da epistemologia ecológica; a escolha desta municipalidade justifica-se, entre outros fatores, pelo alto nível de degradação ambiental encontrado. Para alcançar o objetivo descrito utilizou-se a abordagem meios de vida como ferramenta analítica, pois ao tratar das formas de viver, abarca e articula questões ambientais, de renda, trabalho, migração, sociabilidade, gênero, etc. que compõe a vida dos sujeitos estudados possibilitando assim uma melhor compreensão das formas de viver e perceber o ambiente. A relação homem-ambiente no município foi explorada a partir dos aspectos: culturais, relacionados principalmente às praticas cotidianas e formas de sociabilidade intrínsecas ao ambiente; políticos e econômicos, sobretudo referentes às políticas públicas destinadas à região, assim como às formas de acesso à terra; e perceptivos, captados através do exercício da observação participante e da escuta atenta da memória da população. Foi possível concluir que a população de Marcionílio Souza, diferentemente do que pensa senso comum brasileiro, não emite valores estéticos pejorativos sobre o ambiente semiárido. E que a forma de agir no ambiente está fortemente relacionada às habilidades (no sentido ingoldiano) adquiridas ao longo das experiências de vidas necessárias para se conseguir sobreviver com poucos recursos. Deste modo, constatou-se também que há uma forte reminiscência das formas de ocupação e colonização do semiárido nas estruturas sociais contemporâneas e que, em muitos dos casos, o sertanejo não teve possibilidade de agir sobre o ambiente de forma distinta, pois este era seu principal ou único meio de vida, o que gerou super exploração dos recursos naturais.