Avalição de neutrófilos circulantes em pacientes com neoplasia pré-invasiva e invasiva de colo uterino.

Detalhes bibliográficos
Ano de defesa: 2006
Autor(a) principal: Fernandes Júnior, Paulo César
Orientador(a): Não Informado pela instituição
Banca de defesa: Não Informado pela instituição
Tipo de documento: Dissertação
Tipo de acesso: Acesso aberto
Idioma: por
Instituição de defesa: Universidade Federal do Triângulo Mineiro
Patologia Ginecológica e Obstetrícia
BR
UFTM
Programa de Pós-Graduação em Patologia
Programa de Pós-Graduação: Não Informado pela instituição
Departamento: Não Informado pela instituição
País: Não Informado pela instituição
Palavras-chave em Português:
Link de acesso: http://localhost:8080/tede/handle/tede/37
Resumo: O câncer de colo uterino é o segundo tipo de câncer mais comum em mulheres no mundo. No Brasil, o número de novos casos esperados para 2006 é de 19.260 (MS/INCA-2005). Uma vez que os neutrófilos apresentam atividade antitumoral e que funções de leucócitos circulantes podem estar alteradas em pacientes com câncer de diferentes origens, nosso objetivo foi verificar se pacientes com neoplasia de colo uterino, em diferentes estadiamentos, apresentam alterações no número e/ou função quimiotática e fagocítica de neutrófilos circulantes e o efeito do tratamento sobre esses parâmetros. Foram estudadas 21 mulheres sadias voluntárias (Grupo Controle) e 23 pacientes, sendo 11 diagnosticadas como NIC alto grau ou carcinoma microinvasivo (Grupo NIC/MICRO) e 12 como carcinoma invasivo (Grupo INV) por meio de biópsia. De acordo com o estadiamento, as pacientes foram submetidas à cirurgia (grupo NIC/MICRO) ou quimioterapia (grupo INV). O leucograma das pacientes no momento do diagnóstico mostrou neutrofilia e aumento da relação neutrófilo/linfócito (RNL) na maioria das pacientes em estadiamento avançado, em oposto ao observado no grupo em estadiamento inicial. A quimiotaxia de neutrófilos purificados do sangue periférico foi avaliada em microcâmara em resposta aos estímulos (10-7M) fMLP, LTB4 e IL-8 comparados a migração aleatória (RPMI). As pacientes (Grupo total) apresentaram migração de neutrófilos frente aos estímulos quimiotáticos, porém menor para LTB4 e IL-8 comparado ao grupo controle (p<0,05). Ainda, foi observado que as pacientes do grupo INV tiveram quimiotaxia reduzida a todos os estímulos quimiotáticos comparado ao grupo NIC/MICRO (p<0,01). Após o tratamento cirúrgico (cerca de 30 dias), houve aumento da migração dos neutrófilos em resposta aos estímulos fMLP e LTB4 em pacientes do grupo NIC/MICRO (p<0,05). A função fagocítica foi avaliada utilizando zimosan sensibilizado como partícula fagocítica e os resultados apresentados por meio do índice fagocítico (IF). Não foi observada diferença no IF entre controles e pacientes, porém, considerando o estadiamento, observou-se uma redução da capacidade fagocítica em pacientes do grupo INV comparado ao grupo NIC/MICRO (p=0,015). Após o tratamento cirúrgico, não foi observada variação estatisticamente significante quanto ao IF em pacientes do grupo NIC/MICRO (n=6). Conclui-se que o estadiamento mais avançado no câncer cervical é fator determinante para o aumento do número de neutrófilos circulantes e a redução da função dessas células. A retirada da lesão aumentou a capacidade de migração dos neutrófilos frente aos estímulos quimiotáticos, sugerindo a produção de mediadores inibitórios circulantes pelas células tumorais. A neoplasia de colo uterino mesmo em estadiamento préinvasivo pode ser considerada como uma doença com repercussões sistêmicas.