As relações de gênero no espaço votivo grego: estudo do friso contínuo do Partenon na sociedade Ateniense Séc V a.C.

Detalhes bibliográficos
Ano de defesa: 2023
Autor(a) principal: Santos, Ailton Ferreira [UNIFESP}
Orientador(a): Não Informado pela instituição
Banca de defesa: Não Informado pela instituição
Tipo de documento: Dissertação
Tipo de acesso: Acesso aberto
Idioma: por
Instituição de defesa: Universidade Federal de São Paulo
Programa de Pós-Graduação: Não Informado pela instituição
Departamento: Não Informado pela instituição
País: Não Informado pela instituição
Palavras-chave em Português:
Link de acesso: https://repositorio.unifesp.br/handle/11600/70776
Resumo: Resumo Na Grécia Antiga, a mulher ateniense situava-se aquém dos direitos da pólis. A ridicularização da imagem feminina em Atenas encontrava no teatro sua maior expressividade, tendo como território fértil as tragédias e comédias. Ao realizar um aprofundamento bibliográfico sobre a ação política do feminino na pólis, constituindo assim um manancial teórico que evidencie onde, o respectivo feminino enquanto contexto de cidadã, se apresenta no parâmetro relacionado aos hábitos religiosos e cívicos na qual estavam inseridas, concebendo assim, uma desconstrução do entendimento do papel da mulher na sociedade ateniense, realizo uma conexão à materialidade da escultura arquitetônica do Friso Contínuo do Partenon, corpus da presente pesquisa. A partir da leitura da narrativa visual do respectivo Friso, tendo a imagem figurada do cerimonial do Peplos como referencial da escultura arquitetônica, elaborei a concepção hipotética de que a mulher foi representada como defensora da cidade de Atenas e que a personagem infantil no rito da dobra presente na imagem é feminina, uma vez que percebo a ênfase em sua importância no âmbito religioso cívico, e por ser considerada um veículo justo de questionamentos contemporâneos no contexto científico. Ao estabelecer a materialidade dos acontecimentos votivos numa narrativa escultórica embasada num contexto do seu período, os arquitetos e escultores o fizeram inserindo mulheres diligentes em suas obras, responsáveis por participar efetivamente nos âmbitos sagrados relacionados aos templos e demais espaços e tempos da vida cotidiana em Atenas, que impactaram na estruturação da vivência ateniense. Com a lei de Péricles, instituída no período compreendido em meados do Séc. V a.C., foram as respectivas mulheres diligentes que possuíam a responsabilidade de reproduzir citadinos da pólis ateniense, colaborando para a conservação da logicidade do contexto democrático na antiguidade clássica. Em minha proposição, o escultor concebe a interface operante do feminino no espaço votivo exatamente porque ele estava apoiado na fundamentação da propagação da cidadania. Pautado na reflexão e no conceito analítico do manancial teórico e na História de Gênero, proponho a compreensão da requisição específica das mulheres na sociedade de Atenas do Séc. V a.C., pelo questionamento das vinculações entre o feminino e o masculino, a materialidade escultórica arquitetônica do Peplos através do contexto sagrado e a tecelagem, destarte evidenciar o provável papel feminino diligente na pólis.