Efeito da poluição atmosférica na ocorrência de crises epilépticas: estudo de mecanismos

Detalhes bibliográficos
Ano de defesa: 2023
Autor(a) principal: Araújo, Luis Fernando Sierra [UNIFESP]
Orientador(a): Não Informado pela instituição
Banca de defesa: Não Informado pela instituição
Tipo de documento: Tese
Tipo de acesso: Acesso aberto
Idioma: por
Instituição de defesa: Universidade Federal de São Paulo
Programa de Pós-Graduação: Não Informado pela instituição
Departamento: Não Informado pela instituição
País: Não Informado pela instituição
Palavras-chave em Português:
Link de acesso: https://repositorio.unifesp.br/handle/11600/69581
Resumo: A poluição atmosférica é uma complexa e dinâmica mistura de gases, material particulado (MP) e compostos orgânicos presentes no ar que pode atingir diferentes regiões encefálicas desencadeando alterações comportamentais e predisposição a doenças neurodegenerativas. Neuroinflamação e estresse oxidativo são as principais alterações causadas pelo MP no cérebro, além disso, algumas das citocinas liberadas pelo MP estão também presentes no processo de epileptogênese.O modelo de epilepsia do lobo temporal induzido por lítio pilocarpina (Pilo) reproduz as principais alterações fisiopatológicas observadas na epilepsia do lobo temporal mesial humana com esclerose hipocampal. Objetivos: verificar o impacto da poluição do ar na ocorrência e gravidade de crises induzidas por Pilo, estudar marcadores como as citocinas e a neurogênese no hipocampo dos animais, e verificar a presença de anedonia e ansiedade. Material e Métodos: Ratos Wistar foram utilizados e 4 grupos estudados: Controle exposto ao ar filtrado (Ctr+AF), Controle exposto ao ar poluído (Ctr+Pol), Pilo exposto ao ar filtrado (Pilo+AF) e Pilo exposto ao ar poluído (Pilo+Pol). Os animais foram submetidos ao modelo Pilo para indução do quadro epiléptico e então filmados por 30 dias para contabilizar o número e a severidade das crises. Posteriormente, os animais foram expostos à câmara ar poluído e de ar filtrado na condição controle durante 30 dias, e em seguida foram novamente filmados por mais 30 dias para avaliação das crises. Ao término, foram submetidos aos testes comportamentais e eutanasiados ou perfundidos para obtenção de amostras cerebrais para a análise de citocinas, neurogênese, ativação glial e perda neuronal. Resultados: Animais do grupo Pilo+Pol apresentaram aumento no número de crises e aumento na severidade das crises quando comparados aos animais do grupo Pilo+AF. A análise por Elisa mostrou aumento significante na concentração das citocinas nos grupos Pilo+AF e Pilo+Pol comparados aos respectivos controles. Houve perda neuronal em CA1, CA3 e hilo dos grupos Pilo+AF e Pilo+Pol em relação aos respectivos controles, e aumento de micróglia ativada em CA1 e hilo dos mesmos grupos. O MP não exerceu efeito nesses parâmetros. A análise de BrdU mostrou uma redução da neurogênese no hilo e GD do hipocampo dos grupos Pilo+AF e Pilo+Pol, comparados aos controles e o MP causou redução significante no hilo do grupo Pilo+Pol comparado ao Pilo+AF. Os animais do grupo Ctr+Pol apresentaram anedonia mostrando o efeito do MP no cérebro do animal controle. O teste de ansiedade mostrou efeito ansiolítico nos grupos Pilo+Pol e Pilo+AF comparados aos respectivos controles, apesar de ter sido observada uma tendência a ansiedade nos animais Pilo expostos ao MP. Conclusão: A exposição ao MP2,5 causou aumento no número e severidade das crises em ratos com epilepsia induzida por Pilo acompanhado de redução de neurogênese no hilo, além disso causou comportamento tipo depressivo em animais do grupo controle. Estudos mais aprofundados são necessários para entender os mecanismos envolvidos com esse efeito da poluição na excitabilidade neuronal.