Detalhes bibliográficos
Ano de defesa: |
2020 |
Autor(a) principal: |
Costa, Lívia Rebouças da |
Orientador(a): |
Paiva, Ilana Lemos de |
Banca de defesa: |
Não Informado pela instituição |
Tipo de documento: |
Dissertação
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Tipo de acesso: |
Acesso aberto |
Idioma: |
por |
Instituição de defesa: |
Universidade Federal do Rio Grande do Norte
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Programa de Pós-Graduação: |
PROGRAMA DE PÓS-GRADUAÇÃO EM PSICOLOGIA
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Departamento: |
Não Informado pela instituição
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País: |
Brasil
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Palavras-chave em Português: |
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Link de acesso: |
https://repositorio.ufrn.br/handle/123456789/32037
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Resumo: |
Do período escravocrata aos dias de hoje, as elites brasileiras têm mantido seus privilégios às custas do controle, do disciplinamento, da opressão e da exploração sobre os grupos subalternizados, sendo as mulheres negras e periféricas as mais atingidas. Tal funcionamento se engendra nas relações sociais estruturantes - caracterizadas pelas conflitualidades e contradições entre os diferentes sexos, raças e classes sociais – que sustentam a produção e reprodução do sistema cisheteropatriarcal-racista-capitalista. Nele, o Estado tem gerido as sequelas da “questão social” por meio da criminalização de pessoas tidas não só como indesejáveis, mas, sobretudo, descartáveis, sendo alvo majoritário desse fenômeno, a juventude pobre e negra. Contudo, dentro desse grupo, há ainda uma intensificação diferenciada do processo de opressão/exploração: as meninas que cumprem medida socioeducativa de internação. A partir da concreticidade das desigualdades sociais, da falta de acesso a direitos fundamentais e das violências estruturais, é forjado o binômio exclusão/inclusão perversa, marcado por afetos que conjuram um sofrimento que se expressa coletivamente e por meio de sentimentos como humilhação e culpa. Tal dinâmica atesta o descompromisso da sociedade e do Estado com os grupos subalternizados, fazendo assim com que esse sofrimento seja caracterizado como ético-político, o qual existirá enquanto for vigente o sistema cisheteropatriarcal-racista-capitalista. Dessa forma, com base na perspectiva Feminismo Marxista para compreender a realidade, questionou-se: como o sofrimento ético-político e a imbricação sexo-raça-classe, articulam-se na vida das adolescentes e jovens que se encontram privadas de liberdade? Como objetivo geral, tem-se: analisar de que forma o sofrimento éticopolítico, em interface com a imbricação sexo-raça-classe, perpassa a experiência da privação de liberdade para adolescentes e jovens mulheres; e como específicos: a) observar a dinâmica institucional que permeia a experiência da privação de liberdade para as adolescentes e jovens; e b) analisar, a partir das narrativas das adolescentes e jovens, a presença da imbricação sexo-raça-classe em interface com o sofrimento ético-político como constituintes de seus processos de subjetivação. O estudo realizou-se numa unidade socioeducativa de internação feminina, com adolescentes e jovens de 14 aos 20 anos. Como ferramentas metodológicas para o levantamento de conteúdos no campo, foram utilizadas a observação participante e a photovoice. Na análise, articulando-se com as lentes teóricas citadas, foram construídos os seguintes núcleos de significação: a) da afetação por estar dentro da unidade; e b) da afetação por ser e por sentir ser. Observou-se que o sofrimento ético-político, em articulação com a imbricação sexo-raça-classe, é construído, na experiência das meninas na unidade: pela lógica punitivista em detrimento da socioeducativa, pelo distanciamento de suas famílias, pela existência de tabus sexuais sobre as mulheres, pela ausência de liberdade e pela ocorrência de discriminações, expressas intensamente pela violência policial. Conclui-se que a ideologia cisheteropatriarcal-racista-capitalista atua efetivando violações de direitos e vitimizando um público que deveria ser protegido prioritariamente, sendo urgente o estabelecimento de lutas coletivas de cunho feminista, antirracista e anticapitalista. |