Mapeamento mental através da análise computacional do discurso

Detalhes bibliográficos
Ano de defesa: 2017
Autor(a) principal: Mota, Natália Bezerra
Orientador(a): Silva, Mauro Copelli Lopes da
Banca de defesa: Não Informado pela instituição
Tipo de documento: Tese
Tipo de acesso: Acesso aberto
Idioma: por
Instituição de defesa: Não Informado pela instituição
Programa de Pós-Graduação: PROGRAMA DE PÓS-GRADUAÇÃO EM NEUROCIÊNCIAS
Departamento: Não Informado pela instituição
País: Brasil
Palavras-chave em Português:
Área do conhecimento CNPq:
Link de acesso: https://repositorio.ufrn.br/jspui/handle/123456789/24681
Resumo: Entender comportamentos humanos complexos como a linguagem e suas variações em diferentes situações é um importante objetivo de pesquisa há muitos anos. Uma abordagem naturalística e quantitativa para medir precisamente variações de linguagem do ponto de vista estrutural e semântico apontam para um avanço nessa área, possibilitando medir variações manifestadas em discurso livre que refletem declínio cognitivo em situações patológicas, como nas psicoses, ou no desenvolvimento cognitivo em crianças durante alfabetização, e até mesmo durante o processamento de memórias em estados fisiológicos alterados de consciência, como o que ocorre durante os sonhos. Nesse trabalho iniciaremos discutindo 1) a elaboração de ferramentas para análise de estrutura da fala inspiradas nas descrições psicopatológicas de doenças mentais, 2) sua aplicação para diagnóstico diferencial de psicose e demências, 3) assim como a aplicação de ferramentas semânticas para predição de episódios psicóticos. Pela análise da estrutura do discurso usando grafos para estudar a trajetória de palavras usadas pelos sujeitos ao relatar um sonho, foi possível, por exemplo, verificar que sujeitos portadores do diagnóstico de Esquizofrenia falavam de forma menos conectada que sujeitos com diagnóstico de Transtorno Bipolar do Humor ou sujeitos livres de sintomas psicóticos. Da mesa forma verificamos que havia uma maior distância semântica entre frases consecutivas em entrevistas psiquiátricas de sujeitos em fase prodrômica de psicose que em seguimento de 2 anos e meio fizeram um episódio psicótico pleno. Seguiremos ampliando esse olhar para além do patológico, observando 4) como variam essas medidas de estrutura da linguagem com o desenvolvimento cognitivo saudável e 5) sua relação com a educação. Observamos correlações entre conectividade do relato e performance em testes de inteligência fluida, teoria da mente e performance em leitura. Também investigamos em uma população ampla com grande variação de idades 6) como se dá o desenvolvimento dessas medidas ao longo do desenvolvimento educacional, 7) avaliando o impacto dos anos de educação nessa população e 8) seus correlatos com o desenvolvimento histórico da literatura em aproximadamente 5.000 anos. De maneira geral, encontramos que padrões de conectividade cresceram e estabilizaram ao final da idade do bronze, logo antes da era axial, na literatura, e que quanto mais tempo de educação tem o sujeito, maiores componentes conectados fazem ao relatar suas memórias, valores que se estabilizam apenas ao final do ensino médio (desenvolvimento que não se observa em população com sintomas de psicose). Finalizaremos aplicando ferramentas de similaridade semântica para 9) medir reverberação de memórias durante os sonhos e seus correlatos eletrofisiológicos em um experimento de transição entre vigília e sono. Podemos concluir a partir dos resultados que ferramentas estruturais e semânticas apresentam grande potencial para melhorar a precisão de comportamentos humanos complexos expressos na fala, de maneira naturalística, possibilitando investigações reveladoras sobre cognição e a consciência humana.