Selaginella convoluta (Arn.) Spring: uma abordagem fitoquímica aliada a estudos ômicos

Detalhes bibliográficos
Ano de defesa: 2021
Autor(a) principal: Reginaldo, Fernanda Priscila Santos
Orientador(a): Giordani, Raquel Brandt
Banca de defesa: Não Informado pela instituição
Tipo de documento: Tese
Tipo de acesso: Acesso aberto
Idioma: por
Instituição de defesa: Universidade Federal do Rio Grande do Norte
Programa de Pós-Graduação: PROGRAMA DE PÓS-GRADUAÇÃO EM DESENVOLVIMENTO E INOVAÇÃO TECNOLÓGICA EM MEDICAMENTOS
Departamento: Não Informado pela instituição
País: Brasil
Palavras-chave em Português:
Link de acesso: https://repositorio.ufrn.br/handle/123456789/32918
Resumo: O gênero Selaginella, o maior gênero de Lycopodiophyta compreende cerca de 700-750 espécies, das quais várias espécies são reconhecidas por suas atividades farmacológicas. Nosso overview sobre os aspectos fitoquímico e bioativos apontaram que futuros estudos devem fornecer dados para melhor explorar o potencial biológico das moléculas bioativas de Selaginellaceae, desenvolver estudos sobre a toxicidade e, por último, concentrar esforços em elucidar mecanismos de ação para propriedades biológicas já relatadas. A família conseguiu sobreviver a múltiplas pressões bióticas e abióticas durante os últimos 400 milhões de anos. Diversas espécies do gênero Selaginella adquiriram um interessante traço evolutivo: tolerância à dessecação (TD). Selaginella convoluta é uma planta tolerante à dessecação nativa do semiárido brasileiro. Plantas TD possuem mecanismos de resistência à seca altamente eficazes que permitem sua sobrevivência em condições extremas. Neste estudo, investigamos S. convoluta em dois estados de hidratação: (i) planta no estado desidratado ‒ conforme encontrada em campo na Caatinga; e (ii) planta no estado hidratado ‒ reidratação adquirida em laboratório. Os dados de proteoma apontaram que partes aéreas (PA) e raízes (RZ) parecem ter diferentes estratégias em resposta aos diferentes estados de hidratação; no entanto, PA e RZ parecem ter uma resposta bem orquestrada para regular a tolerância à dessecação. A presença de enzimas envolvidas na biossíntese de metabólitos especializados como fenólicos, terpenoides, bem como metabólitos contendo nitrogênio/enxofre foram apontadas através da análise do proteoma. O perfil metabólico baseado em RMN apontou a presença de metabólitos como carboidratos e fenólicos relacionados aos eventos de tolerância à dessecação, corroborando com os dados de proteoma. Como um achado inédito, o alcaloide anotado mais importante foi a anabasina. Os metabólitos especializados, flavonoides, biflavonoides e selaginelinas foram os principais derivados fenólicos anotados. Assim, realizamos uma análise de LC-MS/MS combinada com a abordagem de molecular networking (MN) para avaliar a quimiodiversidade de flavonoides e selaginelinas. Até o momento, este foi o primeiro estudo sobre Selaginella spp. usando a abordagem de MN que mostrou não somente uma proposta do padrão de fragmentação para todas as selaginelinas anotadas, mas também a predição de novas selaginelinas com base nos dados espectrais MS/MS. Diversos potenciais biológicos de selaginelinas de Selaginella spp. foram relatados. As selaginelinas são produzidas naturalmente em níveis baixos na planta, o que torna a extração química desses metabólitos difícil e demorada. Nesse contexto, o metil jasmonato (MeJA) tem sido utilizado para induzir metabólitos especializados de interesse farmacêutico. Os nossos dados apontaram que o MeJA pode ser uma interessante alternativa para induzir o acúmulo de selaginelinas em S. convoluta. Ainda, os estudos in silico apontaram potenciais alvos biológicos para asselaginelinas: antineurodegenerativo, antiproliferativo e antiparasitário. A abordagem de MN permitiu a predição de sete selaginelinas até então não descritas na literatura, as quais contribuem como uma nova informação química para esta espécie.