Detalhes bibliográficos
Ano de defesa: |
2014 |
Autor(a) principal: |
Santos, Neuma Marinho de Queiroz |
Orientador(a): |
Silva, Geórgia Sibele Nogueira da |
Banca de defesa: |
Não Informado pela instituição |
Tipo de documento: |
Dissertação
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Tipo de acesso: |
Acesso aberto |
Idioma: |
por |
Instituição de defesa: |
Universidade Federal do Rio Grande do Norte
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Programa de Pós-Graduação: |
PROGRAMA DE PÓS-GRADUAÇÃO EM SAÚDE DA FAMÍLIA NO NORDESTE
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Departamento: |
Não Informado pela instituição
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País: |
Brasil
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Palavras-chave em Português: |
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Área do conhecimento CNPq: |
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Link de acesso: |
https://repositorio.ufrn.br/jspui/handle/123456789/20077
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Resumo: |
Diante de um cenário repleto de críticas a um modelo médico que privilegia a doença e não o doente são muitos os argumentos que defendem a necessidade de resgatar a relação humanizada entre médico e paciente. Tornou-se imprescindível formar durante a graduação médica um profissional capaz de realizar um cuidado integral, menos instrumental e mais humanizado. No entanto, apesar dos avanços do projeto pedagógico do curso de Medicina, ainda nos deparamos com inúmeros desafios no processo de formação. Este estudo teve como objetivo geral compreender se a vivência do estudante de Medicina com a Terapia Comunitária Integrativa (TCI) na Atenção Primária- APS /Estratégia Saúde da Família- ESF, apresenta potencial para se configurar enquanto estratégia de ensino-aprendizagem para o cuidado integral e humanizado. Realizou-se uma pesquisa qualitativa com estudantes do curso de Medicina do décimo ao décimo segundo período que tiveram vivência com a TCI como parte do Internato de Medicina de Família e Comunidade - MFC. Utilizamos entrevistas em profundidade com roteiro e recorremos, para análise das narrativas, à Hermenêutica Gadameriana. Foi possível constatar que até ingressarem no internato de MFC os estudantes desconheciam a TCI, e suas preconcepções revestiam-se de caráter depreciativo. A vivência com a TCI possibilitou a ressignificação dos preconceitos e construção de novos conceitos. Estagiar na ESF e participar da TCI revelou potencialidades para o aprendizado do Cuidado Humanizado por meio do exercício prático com experiências que privilegiam a construção de vínculos; a autonomia do paciente; a realização da longitudinalidade no cuidado do paciente; o reconhecimento do poder de resiliência dos pacientes, na força do coletivo, no compartilhar das dores, na força de uma boa comunicação, nos ganhos do exercício da escuta qualificada. A ausência de modelos do que fazer foi substituída por vivências de dores e alegrias no aprendizado do tornar-se médico. As dores falavam das dificuldades estruturais (insumos), no lidar com as vulnerabilidades sociais dos usuários e a dificuldade de realizar uma boa comunicação com os pacientes. As alegrias foram experimentadas na constatação do exercício do Cuidado Humanizado. Questões como dificuldades estruturais, baixo número de pessoas com formação em TCI, e pouco tempo de vivências com a TCI, aparecem como limitações para sua utilização como ferramenta pedagógica. Por sua vez, o potencial reflexivo e capaz de provocar ressignificações sobre o saber fazer diante da dor do outro está muito presente nas narrativas, sinalizando o potencial de aprendizado com a TCI. Portanto, este estudo advoga que a participação dos alunos na TCI, além de poder oferecer aos estudantes uma estratégia de ensino-aprendizagem para o Cuidado Humanizado, representa a possibilidade de ampliar os horizontes destes futuros médicos em um olhar bem mais consciente das dificuldades e potencialidades de um profissional na ESF, contribuindo para a formação de profissionais mais sensibilizados e preparados para realizar uma abordagem integral e humanizada da pessoa e de sua comunidade, contribuindo para uma APS/ESF, mais resolutiva e gratificante para todos. |