Saussure e a linguística geral: entre leis científicas e princípios filosóficos

Detalhes bibliográficos
Ano de defesa: 2024
Autor(a) principal: Figueiredo, Camila Pilotto
Orientador(a): Neumann, Daiane
Banca de defesa: Não Informado pela instituição
Tipo de documento: Tese
Tipo de acesso: Acesso aberto
Idioma: por
Instituição de defesa: Universidade Federal de Pelotas
Programa de Pós-Graduação: Programa de Pós-Graduação em Letras
Departamento: Não Informado pela instituição
País: Brasil
Palavras-chave em Português:
Área do conhecimento CNPq:
Link de acesso: http://guaiaca.ufpel.edu.br/xmlui/handle/prefix/15517
Resumo: O intuito desta tese é avaliar o que uma investigação filosófica da noção de princípios e de leis, partindo do CLG e outras fontes do corpus saussuriano, pode nos esclarecer do pensamento do mestre genebrino e, secundariamente, auxiliar-nos a analisar seus desdobramentos em outros campos semiológicos, como a literatura. Nossa tese busca reavaliar, de uma perspectiva epistemológica e filosófica, o pensamento saussuriano, suprindo uma lacuna observada na análise das relações entre "leis" e "princípios", bem como a escassez de estudos filosóficos sobre o tema. Nossa metodologia é de natureza teórica. A seleção das fontes saussurianas seguiu um critério temático, priorizando textos que abordam a relação entre leis e princípios, bem como os aspectos filosóficos do pensamento de Saussure. Realizamos também uma revisão bibliográfica de textos oriundos do campo da historiografia da linguística, visando a contextualizar a problemática analisada. Por fim, recorremos a obras e artigos nacionais e internacionais relevantes tanto às questões linguísticas quanto filosóficas imbricadas no tema abordado. A tese está estruturada em cinco capítulos. No capítulo 1, “Leis e princípios nas ciências, leis e princípios na linguística”, contextualizamos historicamente o surgimento das leis científicas e sua transposição para a linguística no século XIX. Analisamos como, sob influência do positivismo, a linguística histórico-comparativa tentou estabelecer leis universais da linguagem. No capítulo 2, “As leis no Curso de Linguística Geral”, aprofundamos a análise dos diferentes usos do termo "lei" no CLG, diferenciando leis diacrônicas, sincrônicas e pancrônicas. Destacamos o desconforto de Saussure com essa terminologia e sua rejeição da possibilidade de se conceberem leis linguísticas nos moldes das ciências naturais, enfatizando a necessidade de uma abordagem alternativa baseada em princípios. No capítulo 3, “Os princípios saussurianos”, exploramos a distinção entre princípios epistemológicos e semiológicos, analisando sua interdependência e funcionamento dentro do pensamento saussuriano. Argumentamos que tanto os princípios epistemológicos quanto semiológicos funcionam como hipóteses a priori e servem de base para o desenvolvimento de outros princípios, os quais são específicos a cada sistema semiológico. Explicitamos que esses princípios fundam-se em conexão e apresentam a característica de mutabilidade. O capítulo 4, “Saussure e o projeto semiológico: quais filosofias?”, investiga como a leitura do Curso de Linguística Geral a partir dos princípios esclarece a filosofia da linguística saussuriana. Dialogamos com Simon Bouquet sobre os aspectos filosóficos e metafísicos em Saussure, mas propomos nossa própria interpretação. Defendemos que, já no século XIX, havia uma filosofia da linguística em sua obra, baseada nos princípios epistemológicos e semiológicos. Com apoio na concepção de filosofia de Deleuze e Guattari, demonstramos que Saussure pode ser visto também como filósofo. Por fim, destacamos que seus conceitos devem ser compreendidos em relação uns aos outros, e não isoladamente. Por fim, o capítulo 5, “A mutabilidade dos princípios semiológicos: caminhos para pensar a literatura e re-pensar a língua”, discutimos como a flexibilidade dos princípios semiológicos permite sua aplicação a outros sistemas de signos, especialmente na literatura. A partir dos estudos saussurianos sobre os anagramas e das reflexões de Émile Benveniste sobre Baudelaire, demonstramos como os princípios saussurianos podem ser ampliados para a análise do discurso e da criação poética.