Experiências vivenciais: ser sobrevivente enlutado por suicídio sendo profissional da saúde

Detalhes bibliográficos
Ano de defesa: 2024
Autor(a) principal: Sturbelle, Michele Nunes Guerin
Orientador(a): Kantorski, Luciane Prado
Banca de defesa: Não Informado pela instituição
Tipo de documento: Dissertação
Tipo de acesso: Acesso aberto
Idioma: por
Instituição de defesa: Universidade Federal de Pelotas
Programa de Pós-Graduação: Programa de Pós-Graduação em Enfermagem
Departamento: Não Informado pela instituição
País: Brasil
Palavras-chave em Português:
Área do conhecimento CNPq:
Link de acesso: http://guaiaca.ufpel.edu.br/xmlui/handle/prefix/14477
Resumo: O suicídio é uma questão de saúde pública, que teve um aumento considerável nos últimos 10 anos (2010 – 2019) em todo o mundo. No Brasil não foi diferente. Esse fenômeno é considerado complexo e multifatorial, abrangendo diversos aspectos e áreas do conhecimento que são implicadas durante todo o processo. Já o luto é uma forte reação à quebra de um laço afetivo e do bem estar que havia até então, gerando um sofrimento específico. Pelo caráter repentino e violento do suicídio o luto, nesses casos, pode gerar culpa e autoacusação, demandando muita energia psíquica para a sua elaboração, o que levou a denominar este enlutado como sobrevivente. Esta pesquisa teve como objetivo compreender as experiências vivenciadas por profissionais da saúde que se tornaram sobreviventes enlutados por suicídio após a perda de familiar, amigo ou pessoa significativa, considerando também as perdas no exercício da profissão. O marco conceitual foi baseado nos preceitos da Abordagem Centrada na Pessoa (ACP), de Carl Rogers, a qual traz conceitos fundamentais, tais como a tendência atualizante e as atitudes facilitadoras (empatia, congruência e aceitação incondicional) que são relevantes para tratar do tema proposto, que mesmo sendo um fenômeno universal, causa efeitos individuais e diferentes em cada pessoa. Subsidia também a entrevista não-diretiva que foi utilizada como instrumento de coleta de dados, tendo como questão norteadora “Fale sobre seu vínculo e toda a experiência vivida em relação ao suicídio ocorrido”. A coleta de dados ocorreu nos meses de Agosto, Setembro e Outubro de 2023. Foram realizadas 10 entrevistas com profissionais da saúde de duas instituições hospitalares da cidade de Pelotas/ RS, sendo nove mulheres e um homem, dos quais uma é psicóloga, uma arteterapeuta, quatro enfermeiros e quatro técnicos em enfermagem. A análise dos dados foi baseada no Modelo Fenomenológico Empírico (MFE), de Amedeo Giorgi, o qual satisfaz a necessidade de compreensão da proposta deste estudo. Após a análise dos dados foram formuladas quatro categorias: “História e percepção da morte por suicídio”; “Percepção da influência da morte e luto na saúde e curso da vida”; “Percepção das atividades laborais após a morte e o luto” e “Tendência atualizante e atitudes facilitadoras presentes nos discursos”. Os resultados e discussão evidenciam que todos os entrevistados têm dificuldade em compreender o fenômeno do suicídio e sua ocorrência, mesmo assim, todos sofreram algum impacto decorrente da morte e do luto por suicídio. Destacou-se a urgência da necessidade de intervenções institucionais com todos os colaboradores, tanto pelo luto quanto por possíveis adoecimentos psíquicos, criando assim, um clima favorável e atitudes facilitadoras que contribuem para o enfrentamento da morte e luto e também como forma de prevenção de adoecimentos e fatalidades futuras.