Detalhes bibliográficos
Ano de defesa: |
2016 |
Autor(a) principal: |
SILVA, Simone Patrícia da |
Orientador(a): |
OLIVEIRA FILHO, Pedro de |
Banca de defesa: |
Não Informado pela instituição |
Tipo de documento: |
Tese
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Tipo de acesso: |
Acesso aberto |
Idioma: |
por |
Instituição de defesa: |
UFPE
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Programa de Pós-Graduação: |
Programa de Pos Graduacao em Psicologia
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Departamento: |
Não Informado pela instituição
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País: |
Brasil
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Palavras-chave em Português: |
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Link de acesso: |
https://repositorio.ufpe.br/handle/123456789/18752
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Resumo: |
Esta tese tem como objetivo analisar as representações da educação pública e de seus diferentes atores em textos da revista Veja e Folha de São Paulo, nos quais a educação pública emerge como um problema de ordem nacional. Partimos do pressuposto de que esses veículos, alinhados com os discursos da reestruturação produtiva, iniciada na década de 1990, produzem relatos nos quais a educação pública é desqualificada, e mobilizam para isso recursos retóricos e estratégias discursivas que procuram desconstruir a proposta de educação própria do Estado do bem-estar social, enaltecendo o pensamento neoliberal. Nesses relatos, diferentes atores são recorrentemente responsabilizados pela qualidade da educação pública brasileira e construídos como obstáculos, que devem ser removidos, à reforma liberalizante que fará a educação brasileira avançar. Dessa forma, potencializa-se o discurso de controle e governamento da educação, com fins de enquadrar seus atores na nova ordem mundial. Baseado nessa premissa, este trabalho tem os seguintes objetivos específicos: identificar e analisar nos veículos midiáticos supracitados as teorias mobilizadas para explicar os problemas da educação pública brasileira; as representações sobre os distintos atores coletivos envolvidos com a educação; e os procedimentos e dispositivos retórico-discursivos mobilizados na construção dos relatos. Para efetivar a pesquisa, realizamos a análise das matérias veiculadas sobre educação pública no Jornal Folha de S. Paulo e revista Veja, entre 2011 e 2013. Tomamos como aporte teórico-metodológico a Psicologia Social Discursiva, que enfatiza a função, construção e natureza retórica do discurso e cujos principais representantes são Jonathan Potter, Margaret Wetherell, Michael Billig e Derek Edwards. Nas elaborações produzidas pela mídia, foram detectados recorrentemente os seguintes determinantes dos problemas educacionais: formação dos docentes, ausência de políticas que favoreçam o mérito individual e competitividade, ausência de um Estado avaliador e controlador, autonomia das universidades, ação sindical e gestão ineficiente. A Folha de S. Paulo e a revista Veja defendem um modelo de formação docente de caráter funcional e tecnicista e atacam a estrutura dos cursos superiores de formação, acusando-os de manterem um currículo baseado em teorias antiquadas. Naturaliza-se, dessa forma, a desintelectualização do docente, enfatizando apenas as habilidades práticas da profissão. Quanto ao Estado, as descrições produzem sua ineficácia acusando-o de não garantir uma escola eficiente, voltada para a produtividade e competitividade. Em relação à construção da identidade dos professores e do grupo sindical, predominaram descrições nas quais os docentes e sindicatos são caracterizados como ineficientes, corporativistas, despreparados e ideológicos. Em outras palavras, são relatos que usam os mesmos termos encontrados no discurso da reforma, relatos orientados por organismos internacionais e usados para justificar o modo neoliberal de organizar a educação. |