Mulheres-negras e políticas para mulheres : analíticas decoloniais sobre sujeitos políticos e políticas públicas municipais em Pernambuco

Detalhes bibliográficos
Ano de defesa: 2020
Autor(a) principal: ARAUJO, Raissa Barbosa
Orientador(a): Não Informado pela instituição
Banca de defesa: Não Informado pela instituição
Tipo de documento: Tese
Tipo de acesso: Acesso aberto
Idioma: por
Instituição de defesa: Universidade Federal de Pernambuco
UFPE
Brasil
Programa de Pos Graduacao em Psicologia
Programa de Pós-Graduação: Não Informado pela instituição
Departamento: Não Informado pela instituição
País: Não Informado pela instituição
Palavras-chave em Português:
Link de acesso: https://repositorio.ufpe.br/handle/123456789/40474
Resumo: Esta tese de doutorado está inscrita na Psicologia, em um campo atento a discursos, linguagens e relações de poder (FOUCAULT, 1986). O objetivo do trabalho é compreender quem são os sujeitos políticos das políticas públicas para mulheres em diferentes municípios do semiárido pernambucano. O ponto de partida foram as teorias feministas (HARAWAY, 1995; SCOTT, 1999), em seguida, nos encontramos com epistemologias e metodologias decoloniais (QUIJANO, 1992; LUGONES, 2014; MALDONADO-TORRES, 2019). Foram realizadas observações participantes e, a partir destas, elaborado um roteiro de entrevista. A literatura acadêmica africana-afrodiaspórica ganhou relevância para o estudo (GONZALEZ, 2019; NOBLES; 2009; HUDSON-WEEMS, 2019; OYĚWÙMÍ, 2019). As três gestorasinterlocutoras são mulheres-negras. Em diálogo, buscamos reconstruir memórias relacionadas às suas formações político-acadêmicas, bem como a criação dos Organismos Municipais de Políticas para Mulheres, principais ações e maiores desafios. O material de campo foi trabalhado a partir de uma analítica fanoniana, atenta à colonialidade do ser-poder-saber (FANON, 2008), revisitada pela perspectiva do ‘racismo genderizado’ (KILOMBA, 2019). As gestoras municipais foram interpretadas como ‘ialodês afrodiaspóricas’ (WERNECK, 2009) e toda a população do semiárido como ‘damné(e)s’ (FANON; 2015). O primeiro capítulo da tese apresenta a autora, o percurso para a construção do projeto de pesquisa e referências epistemológicas. No segundo, um breve panorama do ‘Estado da arte’ das políticas para mulheres. O capítulo metodológico traz referências teóricas de pesquisa qualitativa e apresenta o campo estudado. Em seguida, três capítulos analíticos; resgatamos trechos das biografias das gestoras-interlocutoras; os cotidianos áridos da gestão pública e, por fim, estratégias para a construção de uma política comprometida com a vida das mulheres. A partir desta pesquisa, podemos apontar que nos anos 2000 vimos uma mudança de postura do Estado no que se refere às questões de gênero. Em paralelo, o racismo, o problema fundante da formação sociocultural brasileira, segue estruturando a máquina pública.