Rodas de conversas literárias na Educação de Jovens e Adultos (EJA) : diálogos com a obra “Os cem menores contos brasileiros do século”

Detalhes bibliográficos
Ano de defesa: 2023
Autor(a) principal: MELO, Elisabeth Maria de
Orientador(a): BUNZEN JÚNIOR, Clecio dos Santos
Banca de defesa: Não Informado pela instituição
Tipo de documento: Dissertação
Tipo de acesso: Acesso aberto
Idioma: por
Instituição de defesa: Universidade Federal de Pernambuco
Programa de Pós-Graduação: Programa de Pos Graduacao em Letras (Profletras)
Departamento: Não Informado pela instituição
País: Brasil
Palavras-chave em Português:
Link de acesso: https://repositorio.ufpe.br/handle/123456789/50223
Resumo: Esta pesquisa tem como objetivo a análise de como os(as) estudantes da turma da EJA (Módulo VC) participaram das Rodas de Conversas Literárias com os minicontos da antologia intitulada Os cem menores contos brasileiros do século, organizado por Marcelino Freire, com destaque para quais vozes sociais emergiram nessas conversas e nas suas próprias experiências. Do ponto de vista epistemológico, a investigação foi desenvolvida em diálogo com três perspectivas que tratam sobre a Educação Dialógica Freireana (FREIRE, 1967, 1989,1996, 2005), os Novos Estudos do Letramento (BARTON e HAMILTON, 2004; GEE, 1990; STREET, 2014) e a Educação Literária (BAJOUR, 2006, 2012; COLOMER, 2007; CANDIDO, 2011; DALVI, 2018; PETIT, 2009; YUNES, 2021; MACEDO, 2021). Do enfoque metodológico, utilizamos a pesquisa-ação, baseando-se na perspectiva didática e pedagógica dos processos interativos das Rodas de Conversas propostos por Bajour et al. (2006). Realizamos a intervenção (com gravações e fotografias) nas seguintes etapas: (i) seis Rodas de Conversas Literárias com minicontos; (ii) diálogos e reflexões com os minicontos; (iii) narrativas de vida pelos alunos; (iv) a prática da escuta; (v) troca de experiências; (vi) análise dos elementos coletados, (vii) avaliação. Para uma análise mais detalhada, focalizamos três minicontos: Mas o Rio Continua Lindo (autoria de Antônio Torres); Confissão (de Lygia Fagundes Telles) e Primeiro Grande Amor (de Reynaldo Damazio), que foram dialogados em três Rodas de Conversas Literárias diferentes. Como resultados da investigação, notamos que os(as) seis estudantes que participaram das Rodas foram donos(as) de suas próprias vozes, tiveram a liberdade de ser e de ler com a própria vida, fizeram relações intertextuais, entrelaçaram narrativas, teceram (singularmente e coletivamente) os sentidos propostos pelos textos; desencadearam uma perspectiva crítica do ambiente social, ressignificaram sentidos, se emocionaram, experienciaram vivencias alheias e imaginaram outras possibilidades para o texto literário. As Rodas de Conversas Literárias revelaram as grandes potencialidades dos(as) estudantes, a partir do momento em que tiveram vez e voz para exporem suas ideias, reflexões e críticas. Nesse processo dialógico, os(as) discentes tiveram um olhar mais atento para si e para o outro, ecoaram vozes por melhores condições de vida para si e para o outro e alargaram suas compreensões de mundo. Esse princípio da participação, com o texto literário, resultou na prática de uma Educação Literária dialógica e libertadora, permitindo que os (as) alunos (as) também construíssem as trilhas da sua própria aprendizagem.