Para que não haja novos Canudos : a imprensa de Pernambuco e suas narrativas sobre o Contestado, Caldeirão e Pau de Colher

Detalhes bibliográficos
Ano de defesa: 2022
Autor(a) principal: ALMEIDA, Moisés Diniz de
Orientador(a): REZENDE, Antônio Paulo de Morais
Banca de defesa: Não Informado pela instituição
Tipo de documento: Tese
Tipo de acesso: Acesso embargado
Idioma: por
Instituição de defesa: Universidade Federal de Pernambuco
Programa de Pós-Graduação: Programa de Pos Graduacao em Historia
Departamento: Não Informado pela instituição
País: Brasil
Palavras-chave em Português:
Link de acesso: https://repositorio.ufpe.br/handle/123456789/44240
Resumo: A Guerra de Canudos foi um marco decisivo nas narrativas de episódios congênere, até a redescoberta do grande conflito pelos movimentos populares na década de 1980. Por um período de quase cem anos, observamos as mesmas perspectivas, pautadas sob o olhar do litoral para o interior. As narrativas centrais sobre a Guerra foram elaboradas na época, principalmente, pela imprensa. Para perceber como foram construídas essas formações discursivas, elaboramos esta tese, focando principalmente nas lembranças ou comemorações pós-conflito sertanejo, nos eventos do Contestado, do Caldeirão e de Pau de Colher, tendo como escopo as informações divulgadas pela imprensa de Pernambuco, entre os anos de 1897 a 1940. Os textos compostos de expressões, frases e palavras, são importantes nas análises dos signos e símbolos criados em torno dos movimentos em questão. A pesquisa é de caráter qualitativa, utilizando-se da análise de discurso para compreensão dos fatos, na medida que há uma integração entre o escrito manifesto, o que estava visível e invisível no texto. Entretanto, nem todos leem a história contada pelo historiador, podendo ficar perpassados os fatos construídos pela imprensa, que produz seus sentidos sobre misticismos, fanatismo, religiosidade popular, jaguncismo, violência e a imagem caricatural do sertanejo. Ressalta-se que foi construída uma formação de opinião, enraizando-se na cultura, produzindo sentidos que, nem sempre, são apagados facilmente. Neste sentido, a tese mostra que depois de quarenta anos do conflito nos sertões, o medo de Canudos continuava nas perspectivas das classes dominantes e a guerra sertaneja será uma experiência a ser combatida, por meio da imprensa de Pernambuco, que reverbera sua posição de poder, nos discursos sobre os conflitos do Contestado, do Caldeirão e de Pau de Colher.