Gênero, corpo, emoção e medidas sócio-educativas: uma aproximação da violência urbana.

Detalhes bibliográficos
Ano de defesa: 2007
Autor(a) principal: Franca Barreto, Alexandre
Orientador(a): Não Informado pela instituição
Banca de defesa: Não Informado pela instituição
Tipo de documento: Dissertação
Tipo de acesso: Acesso aberto
Idioma: por
Instituição de defesa: Universidade Federal de Pernambuco
Programa de Pós-Graduação: Não Informado pela instituição
Departamento: Não Informado pela instituição
País: Não Informado pela instituição
Palavras-chave em Português:
Link de acesso: https://repositorio.ufpe.br/handle/123456789/756
Resumo: Esta dissertação faz uma análise da violência urbana, a partir dos referenciais analíticos de gênero, corpo e emoção junto a homens jovens egressos do sistema sócio-educativo da cidade de Olinda, Pernambuco. O estudo prioriza as práticas corporais e as expressões emotivas para tecer uma compreensão sobre as trajetórias de vida dos homens jovens, seus referenciais identitários e suas experiências no sistema sócio-educativo. Estudos feministas de gênero e masculinidades, violência urbana e emoção, bem como alguns textos antropológicos clássicos de Mauss nortearam as análises da pesquisa. Ao se aproximar de jovens estigmatizados socialmente e produzir uma leitura sobre suas emoções, o estudo questiona algumas concepções binárias que ecoam em nossa cultura, tais como vítima/algoz, bem/mal, razão/emoção, cognição/afeto, bem como procura fazer um contraponto a leituras analíticas que focalizam a virilidade e a honra como justificativas centrais para a prática violenta masculina. O trabalho de campo ocorreu em dois tempos: o primeiro se refere às memórias e anotações do pesquisador durante o período que trabalhou na execução de Medidas Sócio-Educativas. O segundo tempo refere-se aos dados centrais da pesquisa, que tratam de histórias de vida, construídas ao longo de um ano de encontros e entrevistas, com quatro homens jovens egressos do sistema sócio-educativo. As trajetórias de vida dos jovens confluem para uma realidade perversa de economia de seus corpos masculinos, onde há uma escassez de recursos para utilizar em suas trocas sociais como estratégias de expressar seus sentimentos e fortalecer laços. Simultaneamente, apresentam recorrentes referenciais violentos em suas relações entre sexo, geração, classe e raça. A dor e a revolta são emoções que marcam seus corpos e se manifestam expressivamente através das infrações, alimentando feridas e dores em suas relações sociais. As experiências no sistema sócio-educativo são significativas em todas as histórias: dor, violência, receios, reconhecimento, acesso a direitos, respeito e ressocialização, enredam distintamente as diferentes histórias, despontando frágeis transformações em suas condições materiais de existências, na flexibilidade e ampliação de práticas expressivas dos corpos masculinos e no exercício autônomo e não-violento de suas emoções. A dor continua ferindo seus corpos, assim como persevera a reprodução de algumas práticas masculinas tradicionais, comunicando limites de mudanças diante da fragilidade do sistema sócio-educativo e das desigualdades nas relações sociais