Detalhes bibliográficos
Ano de defesa: |
2011 |
Autor(a) principal: |
LIMA, Edvaldo Carlos de |
Orientador(a): |
Não Informado pela instituição |
Banca de defesa: |
Não Informado pela instituição |
Tipo de documento: |
Tese
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Tipo de acesso: |
Acesso aberto |
Idioma: |
por |
Instituição de defesa: |
Universidade Federal de Pernambuco
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Programa de Pós-Graduação: |
Não Informado pela instituição
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Departamento: |
Não Informado pela instituição
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País: |
Não Informado pela instituição
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Palavras-chave em Português: |
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Link de acesso: |
https://repositorio.ufpe.br/handle/123456789/6045
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Resumo: |
A questão agrária brasileira continua sem ser resolvida na agenda política do país. Ademais, as disputas e conflitos territoriais, só vêm intensificando-se nos últimos anos (CPT, 2009). Foi a partir da década de 1980 que os movimentos de luta por Reforma Agrária, em especial o Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST), incorporaram como principal ferramenta de luta uma ação política radical, tais como: a ocupação de terras improdutivas, devolutas e griladas; e a formação de acampamentos. Ocupar terras devolutas e grandes latifúndios improdutivos configurou, e continua configurando, novos arranjos territoriais nos espaços em disputa. O embate de classe coloca mais uma vez na formação do espaço agrário brasileiro, os trabalhadores sem terra, os quilombolas, os indígenas e os camponeses frente a latifundiários e capitalistas. Por um lado, a aliança latifundiários/usineiros/grandes grupos empresariais do agronegócio canavieiro, instigados pelo mercado internacional e os incentivos do Estado, conquistou, na segunda metade da década de 2000, altos índices de produtividade e desempenho na produção, principalmente, de etanol (álcool etílico). A geografia do agronegócio da cana de açúcar mudou, territorializando-se em novas áreas e monopolizando territórios que escapavam á sua lógica nas regiões tradicionais do seu cultivo, como na Zona da Mata dos estados de Alagoas, Pernambuco e Paraíba - recorte territorial da nossa pesquisa. Todavia, essa dinâmica se concretizou a custa de uma crescente degradação da natureza e de, cada vez, maior controle, intensificação e exploração do trabalho. Contudo, no conflito entre as classes, além da mobilização e solidariedade dos trabalhadores surgem também às desavenças dentro da classe. Apreender as decorrências para a Reforma Agrária desse processo faz parte da preocupação principal desta tese. No nosso percurso analítico, constatamos que os desacordos intra-classe se originam de atritos internos ao movimento camponês rebelde 1, desencadeando dissidências políticoideológicas e a fragmentação dos movimentos sociais no campo que lutam por terra. Devido a essa fragmentação surge a necessidade de entender as contradições e potencialidades da dinâmica social e espacial em curso. Isto posto, entende-se que ao tempo que acontece a fragmentação dos trabalhadores por dissidências políticas, torna-se real a proliferação de novos movimentos sociais de luta por terra, reforçando e dotando de sentido a necessidade da Reforma Agrária no país. Entretanto, observamos também que tais desdobramentos refletem ao mesmo tempo a fragmentação do próprio trabalho, conduzindo uma parte significativa dos trabalhadores acampados e/ou assentados, outrora mobilizados sob diferentes bandeiras de combate e resistência, à precarização do seu trabalho e à desvalorização da sua luta inserindo-se, como trabalhadores temporarios e/ou bóias-frias, no perverso e abusivo negócio do corte da cana de açúcar nas regiões pesquisadas. Entendemos a luta pela terra vista por dentro da luta de classes e definimos o território dominado pela cana nos estados estudados como Zona da Cana Nordestina , outrora Zona da Mata , apelando propositalmente para o fenomênico de um processo em curso: a desaparição da natureza originária e a produção capitalista desigual, combinada e contraditória do espaço agrário. De tal modo, colocar para debate até que ponto o complexo processo de fragmentação da/e luta pela terra no Nordeste (Alagoas, Pernambuco e Paraíba) pode representar uma das frentes de oposição ao desenvolvimento desigual do capitalismo no campo é o desafio desta tese |