Ensino de sociologia em tempos de guerra à “ideologia de gênero” (ou da ideologia de “guerra ao gênero”) : caminhos possíveis em meio aos novos campos minados na educação

Detalhes bibliográficos
Ano de defesa: 2022
Autor(a) principal: SILVA, Silas Veloso de Paula
Orientador(a): OLIVEIRA, Gustavo Gilson Sousa de
Banca de defesa: Não Informado pela instituição
Tipo de documento: Dissertação
Tipo de acesso: Acesso aberto
Idioma: por
Instituição de defesa: Universidade Federal de Pernambuco
Programa de Pós-Graduação: Programa de Pos Graduacao em Educacao
Departamento: Não Informado pela instituição
País: Brasil
Palavras-chave em Português:
Link de acesso: https://repositorio.ufpe.br/handle/123456789/46388
Resumo: Esta dissertação buscou investigar estratégias discursivas de professoras/es de Sociologia acerca do sintagma “ideologia de gênero”, compreendendo-o como um elemento mobilizado a partir dos novos cenários políticos configurados pelas articulações entre discursos (neo)liberais e (neo)conservadores. Tal proposta de investigação se deu a partir de uma reflexão teórico- empírica e política, inspirada em um viés pós-estruturalista, mais especificamente, na Teoria Política do Discurso de Laclau e Mouffe (2015), para os quais o social é ontologicamente político. Diante de cenários em que tanto as questões de gênero e sexualidade, como a própria presença da Sociologia tem sido frequentemente significadas como “doutrinação”, “implantação de uma perspectiva comunista para fixar um projeto de (re)engenharia social” e “males a serem varridos das discussões em instituições de educação”, nos interessa compreender como as e os professores/as tem se constituído subjetivamente e se posicionado frente a estes discursos. Dessa forma, dialogamos também com autoras/es dos campos de Estudos de gênero e Sexualidade, Sociologia da Educação, e de recentes discussões no campo da Teoria do Discurso, investigando processos de subjetivação a partir de fantasias sociais que constituem processos de des/identificação nas relações de antagonismo, diferença e equivalência que se estabelecem em torno desses embates hegemônicos. A estratégia adotada para a interpelação desses discursos mobiliza, além do referencial da Teoria do Discurso de Laclau e Mouffe, recursos da análise do discurso de abordagem francesa e da Psicanálise. Neste sentido, o trabalho aponta para as diferentes formas de articulação de sentidos e de atuação dos/das docentes de Sociologia diante da “guerra ao gênero” na cidade de Recife-PE, situando o campo discursivo no qual estes sujeitos e seus discursos estão inseridos como um espaço onde se constrói a ideia de um “novo” projeto educacional, sendo essa formação discursiva hegemonicamente articulada a partir de lógicas (neo)liberais e (neo)conservadoras. Essa formação discursiva e suas lógicas são, todavia, reiteradamente questionadas e tensionadas pelos docentes entrevistados/as e por outros sujeitos nas escolas de referência em ensino médio analisadas.