Conversando com crianças: posicionamentos e sentidos em construção sobre família em contextos de conflito na justiça

Detalhes bibliográficos
Ano de defesa: 2009
Autor(a) principal: Lacerda Meira Menezes, Katia
Orientador(a): de Araújo Menezes-Santos, Jaileila
Banca de defesa: Não Informado pela instituição
Tipo de documento: Dissertação
Tipo de acesso: Acesso aberto
Idioma: por
Instituição de defesa: Universidade Federal de Pernambuco
Programa de Pós-Graduação: Não Informado pela instituição
Departamento: Não Informado pela instituição
País: Não Informado pela instituição
Palavras-chave em Português:
Link de acesso: https://repositorio.ufpe.br/handle/123456789/8397
Resumo: Esta dissertação localiza-se no campo multidisciplinar dos denominados novos estudos da infância que vêm se constituindo a partir da crítica à noção de infância forjada na modernidade para acolher uma concepção em construção sobre criança como produtora de cultura e como sujeito social politicamente ativo. Tais estudos defendem o investimento em pesquisas que focalizem as vozes, olhares, experiências e pontos de vista das crianças, considerando-as em seus contextos cotidianos. Em consonância com tal abordagem, o presente estudo adota uma perspectiva construcionista social, mais precisamente do modo como a compreendem os autores da Psicologia Social Discursiva, dando ênfase às noções de posicionamento e produção de sentidos. As investigações nesta perspectiva têm buscado compreender como as pessoas, por meio da linguagem em uso, explicam e lidam com o mundo em que se inserem. A partir de tal entendimento, a proposta deste trabalho consistiu em focalizar as vozes de crianças envolvidas em contextos de conflito familiar judicializado, com o objetivo de compreender de suas narrativas como elas se posicionam e constroem sentidos de família em tais contextos. Para tanto, foi realizada uma pesquisa qualitativa utilizando-se como recursos metodológicos entrevistas-conversa individuais e coletivas além de produção de fotografias pelas crianças participantes propiciando a oportunidade de registrarem, de diferentes modos, suas perspectivas. Nas entrevistas coletivas optou-se pelas rodas de conversa, modalidade que favoreceu o processo dialógico entre pesquisadora e participantes e entre os próprios participantes, cujo produto constituiu-se em foco da análise. Estas conversas com as crianças permitiram uma aproximação aos cenários de conflitos familiares na perspectiva de quem não os protagoniza diretamente, ao visibilizar formas de vivenciar tais contextos do ponto de vista das meninas e meninos participantes da pesquisa. Do processo de análise realizado, foi possível perceber que as crianças não são passivas nos contextos familiares em que se inserem, antes se posicionam e produzem sentidos sobre suas experiências. Em suas narrativas identificam-se enunciados críticos sobre as relações com os familiares adultos, em que ressaltam as dificuldades de comunicação pela primazia dada à fala dos adultos. Descrevem como cristalizadas e intransigentes as posições dos adultos que, na ótica delas, dificultam ou impedem a superação dos impasses, questionando também as práticas da justiça na resolução destas questões. Denunciam obstáculos trazidos à convivência familiar em tais contextos, reivindicam espaços de fala e propõem o diálogo como caminho para superar tais impasses. Ao priorizar as narrativas dessas crianças, o interesse foi desencadear processos que suscitassem outros olhares, outras formas de dizer e de interagir nas investigações e intervenções com crianças. Ademais, o estudo empreendido pretendeu, para além de contribuir com o processo de produção do conhecimento, colaborar com o debate ético-político sobre a participação da criança no mundo social, das relações intrafamiliares aos mais diferentes espaços institucionais