Resumo: |
Apesar dos avanços na qualidade e disponibilidade de tecnologias de informação e comunicação (TICs), o nível de acesso e habilidade no uso desses recursos ainda é desigual. Isto é particularmente evidente nos países em desenvolvimento. Para reduzir o fosso entre estes níveis de utilização das TICs, organizações (públicas e privadas) investem na expansão da infraestrutura, proporcionando acesso e formação, por meio de intervenções em TICs. Nesta tese, é mostrado que existe uma lacuna nas abordagens atuais, para monitorar e avaliar as intervenções de formação em TICs em larga escala. Assim, é proposta uma metodologia com base nos links entre os participantes, baseada em análise e mineração de redes sociais. Os links representam que os participantes estão em um estágio de apropriação das tecnologias. Esta metodologia está estruturada em diferentes níveis com propósitos específicos: (i) analisar se existe intensificação de links, de acordo com o tempo decorrido na formação; (ii) analisar a influência do papel ou da localidade do participante nas comunidades/clusters; (iii) identificar os participantes com maior participação na formação ou detectar variáveis associadas à baixa participação. O cenário de estudo para a aplicação da metodologia é o curso de formação de indivíduos no programa Telecentros.BR — criado no Brasil para instalar telecentros e habilitar indivíduos para o uso das TICs. Encontramos que: (i) a análise das interações nos diferentes períodos de tempo reflete os objetivos de cada fase de treinamento, com destaque para o aumento da densidade na fase em que os participantes desenvolvem e disseminam os seus projetos; (ii) análises conforme os papéis dos participantes (isto é, tutores ou monitores) revelam que as interações foram influenciadas pelo centro de formação (ou região) ao qual o participante pertence (isto é, uma comunidade contém principalmente membros da mesma região e sempre com a presença de tutores, contrariando as expectativas, que visavam a intensa colaboração dos participantes, independentemente da região geográfica); (iii) participantes da região nordeste do país estão associados com o maior grau de centralidade na plataforma de rede social; e (iv) diversos participantes que tiveram baixo grau de centralidade relataram que a internet era instável, principalmente no norte do país. |
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