Quando mais é menos, e menos é nada: o problema do letramento e a educação escolar

Detalhes bibliográficos
Ano de defesa: 2023
Autor(a) principal: GOMES, Gisele Silva lattes
Orientador(a): BRITTO, Luiz Percival Leme lattes
Banca de defesa: Não Informado pela instituição
Tipo de documento: Dissertação
Tipo de acesso: Acesso aberto
Idioma: por
Instituição de defesa: Universidade Federal do Oeste do Pará
Programa de Pós-Graduação: Programa de Pós-Graduação em Educação
Departamento: Instituto de Ciências da Educação
País: Brasil
Palavras-chave em Português:
Área do conhecimento CNPq:
Link de acesso: https://repositorio.ufopa.edu.br/jspui/handle/123456789/1828
Resumo: Este trabalho tem como questão central o problema do letramento, especialmente suas implicações para a educação escolar. Parte do pressuposto que o alargamento conceitual e a expansão indiscriminada da aplicação do conceito produziram uma percepção difusa e instrumental de educação escolar e de formação. A tese que se sustenta nesta pesquisa, a qual, tudo leva a crer, se confirma com os dados reunidos, é a de que o letramento foi incorporado e disseminado no universo acadêmico e pedagógico brasileiro prescindindo da crítica e da inquirição aos termos primitivos, em função de uma oscilação epistemológica das ciências humanas. O que se vem denominando letramento está permeado de concepções de formação e aprendizagem diversificadas que agregam uma gama de sentidos que fazem do letramento um conceito fluído, inundado por dualidades e nuances vinculadas a concepções funcionais que buscam desenvolver habilidades e competências. Para tanto, tratou-se de, primeiramente, considerar criticamente os eixos fundantes do conceito conforme vieram se estabelecendo no Brasil a partir da década de 1980 e realizar um levantamento de ocorrências de letramento acompanhadas de especificador, verificando sua inserção teórica e seu campo de correspondências. A análise demonstra que, tal como se apresenta, ampla e confusamente, o conceito de letramento disputa negativamente com o próprio conceito de educação, esvaziando-o. E, embora se apresente como novidade e de caráter progressista, de fato, reproduz os modelos não críticos de educação, ora reforçando a perspectiva instrumentalpragmática, ora repercutindo as teses liberais idealistas. Conclui-se que a expansão do letramento e sua aplicação em contextos escolares e não-escolares (muitos dos quais querem negar a importância da educação escolar) não contribui para a educação brasileira.