Implicações para a saúde de escolares a partir Consumo de água e material particulado atmosférico Inalado em escolas de Santarém e Mojuí dos Campos, Pará, Amazônia

Detalhes bibliográficos
Ano de defesa: 2018
Autor(a) principal: MESCHEDE, Marina Smidt Celere lattes
Orientador(a): FIGUEIREDO, Bernardino R.
Banca de defesa: Não Informado pela instituição
Tipo de documento: Tese
Tipo de acesso: Acesso aberto
Idioma: por
Instituição de defesa: Universidade Federal do Oeste do Pará
Programa de Pós-Graduação: Programa de Pós-Graduação em Sociedade, Natureza e Desenvolvimento
Departamento: Instituto de Biodiversidades e Florestas
País: Brasil
Palavras-chave em Português:
Área do conhecimento CNPq:
Link de acesso: https://repositorio.ufopa.edu.br/jspui/handle/123456789/64
Resumo: O objetivo deste estudo foi investigar as implicações para a saúde de escolares a partir do consumo de água e material particulado atmosférico (MPA) inalável em escolas três escolas de Santarém e uma em Mojuí dos Campos, Pará, Amazônia. Utilizou-se um questionário para a coleta de informações sobre perfil sóciodemográfico e de exposição a poluição hídrica e atmosférica dos escolares. Análises microbiológicas, físico químicas e químicas foram realizadas em 36 amostras de água durante as estações seca e chuvosa. A coleta do MPA ocorreu durante a estação seca e chuvosa, com o auxílio de um Impactador de Cascata em oito estágios para determinação da concentração mássica do MPA, bem como, da composição inorgânica das frações grossa e fina em duas escolas. Dados epidemiológicos sobre morbimortalidade de crianças quanto ao consumo de água e exposição a poluição atmosférica foram coletados nos municípios de estudo entre 2014 a 2016. Os resultados analíticos de água foram comparados com a Portaria do Ministério da Saúde 2914 e estimou-se o risco quantitativo para a saúde com base na metodologia proposta pela Agência Americana de Proteção Ambiental (USEPA). Os resultados analíticos da qualidade do ar foram comparados com os padrões estabelecidos pelo Decreto Estadual de SP 59113 e investigadas as implicações para saúde. Os resultados dos questionários mostraram que a maior parte dos escolares são crianças que residem em famílias numerosas, de baixa renda socioeconômica, residem no próprio bairro da escola e recebem em seu domicilio água proveniente de poços subterrâneos profundos. A maioria relatou utilizar medidas de tratamento da água para consumo diário como o hipoclorito e informaram apresentar com pouca frequência adoecimentos relacionados ao sistema gástrico intestinal e respiratório. Os resultados analíticos da água, evidenciaram contaminação por coliformes totais e Escherichia coli em 28 amostras e 16 das amostras analisadas, respectivamente e confirmaram que as águas das escolas são ácidas (pH entre 3,8 a 5,9), o que poderá implicar em distúrbios gástricos e intestinais em escolares expostos. A maioria dos compostos químicos na água apresentaram concentrações inferiores ao recomendado, com exceção do alumínio, que se mostrou até cinco vezes superior ao valor estabelecido pela Portaria 2914 nas amostras de água avaliadas provenientes de poços rasos apenas das escolas de Santarém (valor máximo de 1045 ng/mL). A exposição a longo prazo à concentração elevada de alumínio na água é associada a implicações neurológicas como demência e doença de Alzheimer. As concentrações de nitrato, embora com valores dentro do recomendado (<10 mg/L), apresentaram valores superiores (valor médio entre 1,9-8,0 mg/L) nas amostras de água captadas de poços rasos das escolas de Santarém em comparação com as amostras da captadas de poços profundos (valor médio entre 0,1-0,5 mg/L) apontando para a importância do seu monitoramento periódico em água, visando a prevenção de distúrbios associados a sua ingestão como a metahemoglobinemia infantil. A quantificação de risco à saúde de crianças, foi significante (>1) apenas para escolares de Santarém que consomem água das escolas com poços rasos. O alumínio e o nitrato na água foram os compostos que mais contribuíram na constituição do risco. Os resultados analíticos do MPA evidenciaram que houve a predominância de partículas fração grossa na atmosfera, com valores de concentração mássica entre 55,28 a 76,30 μg/m3 durante a coleta realizada na estação seca e de 26,08 a 31,90 μg/m3 durante a coleta realizada na estação chuvosa, entretanto, com baixa concentração de compostos químicos solúveis e de elementos traços, com predominância de elementos terrígenos como Ca, Na, Mg, Al, Fe. A fração fina do MPA, mais perigosa para a saúde devido deposição em vias aéreas inferiores, mostrou baixas concentrações mássicas nas escolas em ambas as estações com valores entre 8,10 a 20,85 μg/m3 durante a estação seca e de 0,11 a 2,05 μg/m3 durante a coleta realizada na estação chuvosa. As concentrações de MPA foram inferiores aos padrões de qualidade do ar estabelecidos pelo Decreto estadual de SP em ambas as escolas e períodos de coleta. A análise química ácida da fração fina revelou a predominância do potássio, especialmente na escola de Mojuí dos Campos durante a estação seca (90,7 ng/m3), o que poderá indicar material originário de queima da biomassa florestal na escola. Resultados epidemiológicos sobre morbimortalidade em crianças menores de 10 anos, mostraram que a prevalência e a taxa de internação por doenças diarreicas agudas e doenças respiratórias foram mais elevadas na faixa etária de menores de um ano e durante o período chuvoso. O município de Santarém apresentou maior prevalência de doenças diarreicas e respiratórias quando comparado com Mojuí dos Campos. As taxas de mortalidade foram maiores para as doenças respiratórias quando comparadas com as doenças diarreicas. Dessa forma, os resultados encontrados sobre qualidade da água e do ar por esta tese são pioneiros em escolas na região de Santarém e indicam que a qualidade da água subterrânea deverá ser monitorada periodicamente, especialmente, aquelas captadas por poços menos profundos de forma a garantir menores efeitos adversos em saúde. Embora, a qualidade do ar tenha se mostrado boa, o aumento da prevalência de internações e óbitos em crianças por doenças respiratórias sugere que novas avaliações de exposição a poluentes atmosféricos devem ser realizadas para a garantia da promoção a saúde.