Variação espaço-temporal de cianobactérias no Baixo Rio Tapajós, Pará, Brasil

Detalhes bibliográficos
Ano de defesa: 2020
Autor(a) principal: SILVA, Sâmea Cibele Freitas da
Orientador(a): MELO, Sergio
Banca de defesa: Não Informado pela instituição
Tipo de documento: Tese
Tipo de acesso: Acesso aberto
Idioma: por
Instituição de defesa: Universidade Federal do Oeste do Pará
Programa de Pós-Graduação: Programa de Pós-Graduação em Sociedade, Natureza e Desenvolvimento
Departamento: Instituto de Biodiversidade e Florestas
País: Brasil
Palavras-chave em Português:
Link de acesso: https://repositorio.ufopa.edu.br/jspui/handle/123456789/347
Resumo: Florações de cianobactérias têm ocorrido no rio Tapajós, Oeste do Pará, Brasil. Este crescimento excessivo de cianobactérias potencialmente tóxicas tem sido registrado mundialmente, frequentemente associado a ambientes lênticos antropizados. O fenômeno é menos frequente em ambientes lóticos, e há escassez de investigações referentes ao tema na Amazônia. O presente estudo objetivou analisar a variação espacial e temporal de cianobactérias em amostras de água, coletadas em escala mensal durante 10 meses em cinco praias de uso recreacional no rio Tapajós e verificar a condição de balneabilidade e potabilidade quanto a presença de cianobactérias. A riqueza em espécies de cianobactérias foi estimada pelo número de táxons por amostra e a análise quantitativa de cianobactérias foi efetuada pelo método de Utermöhl (1958). Registraram-se 22 táxons de cianobactérias distribuídos em 11 gêneros, destes Microcystis, Dolichospermum, Aphanocapsa, Lyngbya e Planktothrix apresentam espécies potencialmente produtoras de cianotoxinas. Durante todo o período amostrado foram registradas cianobactérias na água e não foi encontrada variação espacial da riqueza e da densidade populacional de cianobactérias. Por outro lado, foi constatada diferença temporal de cianobactérias em que os maiores valores de riqueza e da densidade foram registrados durante o período de menor pluviosidade e durante as fases de vazante e águas baixas do rio. Sugerindo-se que, durante a estiagem e período de vazante e águas baixas, o efeito de revolvimento e ressuspensão do sedimento e nutrientes, aliado a condições hidrodinâmicas do rio Tapajós, propiciaram condições limnológicas favoráveis ao crescimento de cianobactérias, as quais podem ser intensificadas pela ação antrópica. O período de alta temporada turística coincidiu com o momento em que houve as maiores florações de cianobactérias. Durante os meses de junho e dezembro a água do rio Tapajós esteve inapropriada para o contato recreacional. Além disso, em 34% das amostras investigadas houve a possibilidade de contaminação humana via consumo de água em momentos de floração, pois esteve em desacordo com a normativa. Embora a notificação de florações pontuais de cianobactérias potencialmente tóxicas no rio Tapajós seja um alerta suficiente sobre a possibilidade de liberação de cianotoxinas na água, o monitoramento destas toxinas não pode ser negligenciado pelas autoridades.