A emergência da cultura de pares infantil na pedagogia Waldorf

Detalhes bibliográficos
Ano de defesa: 2013
Autor(a) principal: Tavares, Ana Letícia Duin lattes
Orientador(a): Micarello, Hilda Aparecida Linhares da Silva lattes
Banca de defesa: Santos, Ilka Schapper lattes, Lopes, Jader Janer Moreira lattes, Borba, Angela Meyer lattes
Tipo de documento: Dissertação
Tipo de acesso: Acesso aberto
Idioma: por
Instituição de defesa: Universidade Federal de Juiz de Fora (UFJF)
Programa de Pós-Graduação: Programa de Pós-graduação em Educação
Departamento: Faculdade de Educação
País: Brasil
Palavras-chave em Português:
Área do conhecimento CNPq:
Link de acesso: https://repositorio.ufjf.br/jspui/handle/ufjf/3460
Resumo: O interesse em pensar uma prática pedagógica que considere o protagonismo da criança me levou a realizar a presente pesquisa que tem como objetivo compreender se e como a prática pedagógica baseada na antroposofia, em especial o papel do brincar nessa prática, possibilita o tempo-lugar de criação, negociações e o compartilhamento de significados – cultura de pares, segundo Corsaro (2009) entre as crianças na educação infantil. Decorrentes desse objetivo surgiram algumas questões: quais os princípios da Pedagogia Waldorf contribuem para a emergência da cultura de pares entre as crianças? Como se dá a mediação do professor nesse processo? Qual o papel do brincar na construção da cultura de pares no contexto da Pedagogia Waldorf? Percebi a possibilidade de compreender essas questões tecendo um diálogo entre a filosofia antroposófica, por enfatizar o aspecto integral do ser humano; a sociologia da infância, por reconhecer e valorizar a autonomia da criança e concebê-la enquanto criadora de culturas próprias e a perspectiva histórico-cultural, por trazer a dimensão cultural na constituição dos sujeitos. O diálogo estabelecido entre as três perspectivas teóricas em torno dos eixos: a natureza do ser humano, o desenvolvimento infantil e o brincar pôde ser mais aprofundado a partir da observação da prática pedagógica. Considerando que esse foi o meu ponto de partida, ou seja, o fazer pedagógico e o fato de ter o interesse em conhecer um caso particular, uma situação específica: a cultura de pares entre crianças no contexto da Pedagogia Waldorf, levando em conta seu contexto e complexidade, decidi adotar uma forma de fazer pesquisa que é o estudo de caso do tipo etnográfico. O trabalho de campo foi realizado na escola Paineira, fundamentada na Pedagogia Waldorf, situada em Juiz de Fora, no bairro São Pedro. Foram escolhidos como sujeitos da pesquisa uma professora e crianças de 3 a 6 anos (uma turma do jardim de infância). Foram utilizados como instrumentos de produção de dados: a observação participante, de acordo com os princípios da etnografia, como também fotografias dos espaços vivenciados pelas crianças. A análise das situações vividas entre as crianças no contexto da Pedagogia Waldorf me permitiu afirmar que o ritmo, considerado um dos princípios fundamentais da Educação Infantil na perspectiva antroposófica, é um elemento que favorece a emergência da cultura de pares entre as crianças. O ambiente construído no interior do ritmo, envolvendo os tipos de objetos oferecidos, a atuação da professora, os espaços utilizados, os tempos disponíveis são elementos relevantes que atuam diretamente na atividade da criança, no sentido apontado por Vygotsky, pois aquela é construída nas condições concretas de vida.