Autoeficácia, lócus de controle da saúde, religiosidade e não-aderência medicamentosa no pós-transplante renal

Detalhes bibliográficos
Ano de defesa: 2015
Autor(a) principal: Silva, Andresa Nascimento da lattes
Orientador(a): Pinheiro, Hélady Sanders lattes
Banca de defesa: Almeida, Alexander Moreira lattes, Banhato, Eliane Ferreira Carvalho lattes
Tipo de documento: Dissertação
Tipo de acesso: Acesso aberto
Idioma: por
Instituição de defesa: Universidade Federal de Juiz de Fora
Programa de Pós-Graduação: Programa de Pós-graduação em Saúde Brasileira
Departamento: Faculdade de Medicina
País: Brasil
Palavras-chave em Português:
Área do conhecimento CNPq:
Link de acesso: https://repositorio.ufjf.br/jspui/handle/ufjf/1086
Resumo: A aderência aos imunossupressores constitui um elemento essencial para os resultados do transplante renal e tem sido alvo crescente de estudos devido à sua relevância para o tratamento. Pode ser definida como o grau de concordância entre o comportamento de uma pessoa em relação às orientações do médico ou de outro profissional da equipe de saúde. Recebe influência de questões socioeconômicas, do sistema e profissionais de saúde, fatores relacionados às condições de saúde, à terapia e ao paciente. Dentre estes, os fatores relacionados ao paciente são pouco estudados. Este estudo teve como objetivo geral avaliar a relação entre alguns destes fatores individuais do paciente, como as crenças de autoeficácia, lócus de controle da saúde (LCS) e religiosidade e o comportamento de não-aderência aos imunossupressores em pacientes transplantados renais. Foi desenvolvido um estudo de corte transversal em que foram avaliados 88 pacientes acompanhados no ambulatório de pós-transplante do Hospital Universitário de Juiz de Fora. O diagnóstico de não-aderência foi realizado pelo método da triangulação, utilizando a Escala Basel para Avaliação de Aderência a Medicamentos Imunossupressores (BAASIS), opinião dos profissionais e dosagem do nível sanguíneo dos imunossupressores. As crenças de autoeficácia, lócus de controle da saúde e religiosidade foram avaliadas pelas escalas de Autoeficácia Geral Percebida, Multidimensional de Lócus de Controle da Saúde e do Índice de Religiosidade da Universidade de Duke (DUREL), respectivamente. Os pacientes aderentes e não aderentes foram comparados pelos testes do qui-quadrado, t de Student e correlação de Spearman. A maioria dos pacientes era do sexo masculino (63%), recebeu enxerto renal de doador vivo (96%), tinha média de idade de 47,2±12,9 anos e tempo mediano pós-transplante de 108,71 (49,0-266,0) meses. Encontramos uma elevada prevalência de não-aderência, de 70,5%. Observamos uma maior pontuação de autoeficácia nos pacientes aderentes em relação aos não-aderentes, 45,14+4,9 vs. 38,32+8,6 (p<0,001), respectivamente. As dimensões do LCS não foram diferentes entre os grupos. Em relação à religiosidade, apenas a dimensão religiosidade intrínseca, que acessa o nível pessoal de envolvimento ou motivação religiosa, apresentou maior pontuação nos pacientes aderentes em relação aos não-aderentes (14,0+1,6 vs 12,8+2,5; p=0,016]. Não houve correlação significativa entre autoeficácia e os níveis de religiosidade, avaliados através da correlação de Spearman. Considerando os nossos resultados, sugere-se que os profissionais adotem uma visão holística em relação ao paciente. Aspectos, tais como a religiosidade e as crenças de autoeficácia, devem ser consideradas quando se traçarem estratégias para alcançar uma melhor autogestão e maior aderência aos imunossupressores.