Perfil epidemiológico das doenças glomerulares em um ambulatório terciário durante vinte e cinco anos: novos e velhos problemas

Detalhes bibliográficos
Ano de defesa: 2024
Autor(a) principal: Sales, Fernando lattes
Orientador(a): Fernandes, Natália Maria da Silva lattes
Banca de defesa: Pires, Leopoldo Antônio lattes, Neves, Precil Diego Miranda de Menezes lattes
Tipo de documento: Dissertação
Tipo de acesso: Acesso aberto
Idioma: por
Instituição de defesa: Universidade Federal de Juiz de Fora (UFJF)
Programa de Pós-Graduação: Programa de Pós-graduação em Saúde Brasileira
Departamento: Faculdade de Medicina
País: Brasil
Palavras-chave em Português:
Área do conhecimento CNPq:
Link de acesso: https://repositorio.ufjf.br/jspui/handle/ufjf/16765
Resumo: As doenças glomerulares (DG) representam etiologia importante de doença renal crônica (DRC) e se associam a altas taxas de morbimortalidade. O objetivo do estudo foi realizar a caracterização sociodemográfica e clínica dos pacientes com DG, submetidos ou não à biópsia renal, atendidos no serviço de Nefrologia da Universidade Federal de Juiz de Fora. Realizado estudo de coorte retrospectivo com análise dos prontuários dos pacientes atendidos entre janeiro de 1998 a janeiro de 2023. Analisadas variáveis sociodemográficas, clínicas, histopatológicas e de desfecho. Análise comparativa entre doença glomerular primária (DGP) versus doença glomerular secundária (DGS) e por tipo histopatológico (9 subgrupos). Análise de regressão com a sobrevida renal como variável de desfecho. Na amostra de 417 pacientes, 57,3% eram mulheres, 69,8% brancos, média de idade de 41,7  14,4 anos, 51,1% classificados como DGP e 77,5% submetidos à biópsia renal. O diagnóstico histopatológico mais frequente foi de nefrite lúpica (NL, 25,1%), seguido por glomeruloesclerose segmentar e focal (16,1%), nefropatia por IgA (NIgA, 15,8%). A comorbidade mais frequente foi hipertensão (78,2%), seguida por dislipidemia (47,2%) e doença psiquiátrica (39,6%). Elevado percentual de tabagismo atual ou prévio (29,7%). A principal apresentação clínica nefrológica foi a síndrome nefrótica (33,8%); 15,5% tiveram injúria renal aguda inicial. História familiar para nefropatias presente em 23,3%. Uso de antiproteinúricos em 89,2% e 60,7% foram imunossuprimidos. Ao início, encontrados menores níveis de hemoglobina (p < 0,0001) e plaquetas (p = 0,026) nas DGS; e menores níveis de albumina (p = 0,011) e maiores de colesterol (p < 0,0001) nos casos primários. Maior proporção de pacientes com DGS foram submetidos a mais do que uma biópsia renal (14,5%, p = 0,006). Sobre desfecho, a média de taxa de filtração glomerular estimada (TFGe) inicial foi de 72,9  33,3 e final de 62,5  33,3 (p < 0,0001), mediana de proteinúria inicial de 2,3 (0,9-5,3) e final de 0,5 (0,1-1,6) (p < 0,0001). A maioria dos pacientes se encontrava ativa no ambulatório (61,4%), com baixas taxas de diálise (4,6%) e óbito (1,2%). Melhores curvas de sobrevida renal em pacientes com doença de lesão mínima e piores naqueles com glomerulonefrite membranoproliferativa (GNMP) (p = 0,001). Sobre progressão de DRC, as principais variáveis de proteção foram: TFGe inicial melhor (Risco Relativo [RR] = 0,954, IC 95%: 0,929-0,978; p = 0,001) e fibrose intersticial ausente (RR = 0,334, IC 95%: 0,121-0,923; p = 0,035); já as de risco: maior índice de massa corporal (RR = 1,155, IC 95%: 1,029-1,297;