Avaliação da infecção pelo papilomavirus humano no trato anogenital masculino de pacientes atendidos em ambulatório de dermatologia

Detalhes bibliográficos
Ano de defesa: 2013
Autor(a) principal: Dobão, Elisabete Aida Rodrigues
Orientador(a): Não Informado pela instituição
Banca de defesa: Não Informado pela instituição
Tipo de documento: Dissertação
Tipo de acesso: Acesso aberto
Idioma: por
Instituição de defesa: Universidade Federal Fluminense
Niterói
Programa de Pós-Graduação: Não Informado pela instituição
Departamento: Não Informado pela instituição
País: Não Informado pela instituição
Palavras-chave em Português:
HPV
HIV
Link de acesso: https://app.uff.br/riuff/handle/1/6344
Resumo: A infecção pelo Papilomavírus humano, doença sexualmente transmissível até o momento estudada principalmente em mulheres pela sua ligação ao carcinoma cervical uterino, tem se tornado um problema de saúde também em homens. O carcinoma anal, que assim como o cervical uterino, é associado aos HPV de alto risco oncogênico em 90% dos casos, tem apresentado aumento expressivo das taxas de incidência em alguns grupos específicos, como o de pacientes homens que fazem sexo com homens, HIV soropositivos e imunossuprimidos. Este aumento se apresenta em um momento de ausência de protocolos de conduta diagnóstica e terapêutica e de vacinação para meninos em nível de saúde pública, na maior parte dos países. Pelo exposto, nosso objetivo neste estudo foi avaliar a população masculina com lesões anogenitais por infecção pelo HPV, que vieram por procura espontânea, em 18 meses de atendimento em um ambulatório de Dermatologia da Santa Casa de Misericórdia do Rio de Janeiro. Avaliamos suas manifestações clínicas, exames laboratoriais, dificuldades e perdas diagnósticas e os dados sociodemográficos que possam ter interferido na infecção. Foram coletadas 71 amostras de 55 pacientes HIV soronegativos e 16 HIV soropositivos e após, encaminhadas ao estudo histopatológico, identificação viral por PCR genérico e tipo-específico e quantificação do biomarcador p16. Entre os resultados encontramos a idade média ao diagnóstico de 33 anos, sem diferença entre os grupos em relação ao HIV. Foi observada pouca variação nos tipos virais identificados (HPV 6, HPV 11 e HPV 16) e um pequeno número de infecções por múltiplos tipos, apesar da inclusão de pacientes HIV soropositivos. Houve significância estatística entre a prática de sexo anal passivo e a presença de HPV de alto risco, ficando evidente a correlação entre este grupo (infectado por HPV 16) e a mucosa anal (p<0,05). Também evidenciamos a associação entre a infecção pelos tipos de alto risco oncogênico e a presença de lesões malignas (p<0,01). Encontramos associação entre a soropositividade para HIV com a infecção pelos tipos de alto risco oncogênico (HPV 16) (p<0,05) e a presença de lesão perianal (p<0,05), demonstrando a predominância da infecção no grupo de homens que fazem sexo com homens. A correlação entre o resultado da histopatologia e a soropositividade para HIV também foi expressiva, com estes pacientes apresentando estatisticamente maior número de lesões de alto grau (p<0,05), e em idade média menor (40,7 anos) que os pacientes HIV soronegativos (55 anos) (p<0,05), demonstrando inequivocamente que a infecção nos pacientes HIV soropositivos apresenta manifestações precoces em relação à população geral e de maior gravidade. Quanto à expressão do biomarcador p16, apesar de termos tido uma amostragem reduzida, observamos significância estatística entre a positividade para p16 e a presença de HPV de alto risco (p<0,05). Neste trabalho demonstramos a inequívoca relação entre a infecção pelos tipos de HPV de alto risco oncogênico e a presença de lesões de alto grau, a prevalência do HPV 16 no epitélio anal e a prática de sexo anal receptivo como fator de risco para desenvolvimento de lesões de alto grau neste sítio; a maior prevalência dos tipos de alto risco oncogênico e de lesões de alto grau nos HSH HIV soropositivos, com apresentação em idade mais precoce que nos HIV soronegativos. Também acreditamos que a presença do biomarcador p16 ainda seja tema controverso, necessitando de trabalhos futuros.