Produção da cultura e mediação social do ambiente nas pescas artesanais das comunidades vizinhas de Ubú e Parati no Espírito Santo
Ano de defesa: | 2014 |
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Autor(a) principal: | |
Orientador(a): | |
Banca de defesa: | |
Tipo de documento: | Dissertação |
Tipo de acesso: | Acesso aberto |
Idioma: | por |
Instituição de defesa: |
Universidade Federal do Espírito Santo
BR Mestrado em Ciências Sociais UFES Programa de Pós-Graduação em Ciências Sociais |
Programa de Pós-Graduação: |
Não Informado pela instituição
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Departamento: |
Não Informado pela instituição
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País: |
Não Informado pela instituição
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Palavras-chave em Português: | |
Link de acesso: | http://repositorio.ufes.br/handle/10/4338 |
Resumo: | A pesca exercida nas comunidades, ao longo do litoral brasileiro, atualmente se diferencia muito da pesca exercida pelos habitantes que estavam aqui no momento em que chegaram os colonizadores europeus do território que hoje é concernente ao Brasil. Essa atividade haliêutica transformou-se através do acesso ascendente a uma variedade de instrumentos e acessórios que antes não faziam parte do cotidiano da atividade. Além disso, há muitas décadas, grande parte dos instrumentos e das embarcações era construída pelos próprios pescadores – diferentemente das linhas de náilon, do GPS, do motor de embarcação e da geladeira do barco, utilizados com frequência atualmente. Mesmo com essas convergentes mudanças, os pescadores ainda dependem do que Antônio Carlos Diegues (1983) caracterizou como força produtiva da natureza, isto é, a dependência que a pesca possui em relação aos ciclos do ambiente. A maioria dos pescadores hodiernos não são mais indivíduos isolados física e informacionalmente em suas localidades. São registrados como pessoas viventes em um Estado nacional, possuem carteira de identidade (entre outros documentos), usufruem de bens de consumo, lidam cotidianamente com dinheiro. Em geral, vivem em meios de certa forma urbanizados. Possuem, em suas trajetórias de pescadores, uma legislação específica a cumprir perante o Estado, para terem permissão de pescar: licença ambiental de pesca, carteira de pescador e licença de embarcação. Porém, diferentemente da maioria dos trabalhadores urbanos, o pescador convive diretamente com as nuances do ambiente marinho, que irão ditar o seu cotidiano e os desafios que ele terá de superar para angariar os objetivos de sua atividade: os peixes e outros seres marinhos. Além dos fatores descritos acima que influenciam diretamente a forma que toma a pesca artesanal, as comunidades de pescadores artesanais de Ubú e Parati, existentes no município de Anchieta, convivem com turistas desde a década de 1950. A partir da década de 1970, esse território conta com a inserção da colossal indústria de beneficiamento de minério Samarco e, mais tarde em 2006, da Petrobrás. Esses últimos atores, para além de constituir alguns determinantes nas trajetórias das pescas artesanais de Ubú e Parati, postam-se através de suas ações como os agentes que, na percepção dos pescadores artesanais, irão acabar com a atividade, devido à sua racionalidade que visa constantemente expandir seu processo produtivo, atingindo diretamente a pesca local. É nessa circunstância que se desenvolve o estudo que nessas páginas está contido, tratando de compreender o processo de produção da cultura das pescas artesanais das comunidades de Ubú e Parati, que é intimamente relativo em seus possíveis desenvolvimentos ao acesso dos pescadores artesanais ao ambiente marítimo. |