Ruído e vegetação urbana: estudo sobre incômodo e qualidade do sono

Detalhes bibliográficos
Ano de defesa: 2021
Autor(a) principal: BUCCI, Maria Elisa Diniz lattes
Orientador(a): SILVA, Luiz Felipe lattes
Banca de defesa: Não Informado pela instituição
Tipo de documento: Dissertação
Tipo de acesso: Acesso aberto
Idioma: por
Instituição de defesa: Universidade Federal de Itajubá
Programa de Pós-Graduação: Programa de Pós-Graduação: Mestrado - Meio Ambiente e Recursos Hídricos
Departamento: IRN - Instituto de Recursos Naturais
País: Brasil
Palavras-chave em Português:
Área do conhecimento CNPq:
Link de acesso: https://repositorio.unifei.edu.br/jspui/handle/123456789/2344
Resumo: O presente trabalho teve como objetivo investigar a influência da vegetação urbana como moduladora das respostas à exposição ao ruído urbano, por meio do desenvolvimento de três manuscritos. O Manuscrito 1 buscou investigar a eficiência da vegetação urbana na exposição ao ruído. Foram levantados os níveis sonoros e a quantificação do volume do tráfego rodoviário para duas seções estudadas, a rodovia BR-459 e uma via protegida pelo corredor de vegetação. Foi realizada a caracterização da vegetação urbana no corredor por meio da composição florística e de características intrínsecas dos indivíduos arbóreos, como porte, circunferência do tronco, largura das folhas e da copa. Compararam-se os valores entre os níveis sonoros medidos e aqueles estimados pelo algoritmo de modelo de predição. A associação entre as características dos indivíduos arbóreos e o ruído de tráfego foi feita pelo ranqueamento de Spearman. Os níveis sonoros equivalentes (LAeq) obtidos em campo foram 73,7 dB(A) e 62,5 dB(A) para as áreas contíguas à rodovia e ao corredor de vegetação, respectivamente. Na mesma ordem, segundo o modelo aplicado, os valores dos LAeq foram de 77,5 dB(A) para a rodovia e 68,4 dB(A) para a via protegida pela vegetação. A diferença maior entre os valores obtidos para o corredor aponta para uma possível atenuação oferecida pela vegetação. Foi observada uma maior prevalência (50,0%), significativa, de muito incomodados em residentes ao longo da rodovia, quando se compara à outra área. A circunferência dos troncos apresentou associação positiva significativa com os níveis sonoros no trecho. Sugere-se a adoção de estudos com maior profundidade que superem os limites existentes nestes devido alguns resultados inconclusivos acerca da influência da vegetação. O Manuscrito 2 investigou a associação entre exposição ao ruído de tráfego rodoviário e incômodo e a influência da vegetação urbana nos bairros Avenida, Boa Vista, Porto Velho, Varginha, São Sebastião e Santa Rosa do município de Itajubá/MG. Foram utilizados dois instrumentos sobre a amostra de sujeitos: um questionário estruturado para investigar a percepção sobre o incômodo e a presença de vegetação urbana na área e o Mini Sleep Questionnaire (MSQ). As análises dos dados obtidos pela aplicação dos questionários foram realizadas por meio da regressão logística. Foram encontradas associações significativas entre o indivíduo estar muito incomodado com o ruído do tráfego rodoviário e viver próximo a áreas ruidosas, a percepção que o ruído prejudique a qualidade do sono; a existência de distúrbios relacionados ao sono, a raça parda e o nível alto de escolaridade. Conclui-se que, pelos instrumentos utilizados, não foi encontrada associação quanto à percepção da vegetação como mediadora em relação à diminuição do incômodo pela exposição ao ruído. A associação entre a exposição ao ruído do tráfego rodoviário e qualidade do sono, mediada pela vegetação urbana nas mesmas localidades do Manuscrito 2 foi investigada no Manuscrito 3. Dois instrumentos foram utilizados sobre a amostra de sujeitos: um questionário estruturado para explorar a percepção sobre interferência na qualidade do sono e a vegetação urbana presente na área e o MSQ utilizado para caracterizar os distúrbios relacionados à qualidade do sono. As análises dos dados obtidos por ambos os instrumentos também foram realizadas por regressão logística. Em relação à percepção da interferência na qualidade do sono, manifestação de incômodo pelo ruído de tráfego, viver com companheiro e tempo de residência superior a dois anos apresentaram associação significativa positiva, enquanto que idade, negativa. Intensidade do incômodo, baixa escolaridade, pequena concentração de vegetação e viver sozinho ou até com uma pessoa apresentaram associação significativa positiva com qualidade do sono aferida pela MSQ. Conclui-se que a vegetação está associada com a qualidade do sono da amostra analisada apenas pelo instrumento MSQ.