Canudos: a utopia entre Deus e o diabo (Bahia - 1893-97).

Detalhes bibliográficos
Ano de defesa: 1993
Autor(a) principal: PEREIRA, Ferdinand Cavalcante.
Orientador(a): Não Informado pela instituição
Banca de defesa: Não Informado pela instituição
Tipo de documento: Dissertação
Tipo de acesso: Acesso aberto
Idioma: por
Instituição de defesa: Universidade Federal de Campina Grande
Brasil
Centro de Humanidades - CH
PÓS-GRADUAÇÃO EM CIÊNCIAS SOCIAIS
UFCG
Programa de Pós-Graduação: Não Informado pela instituição
Departamento: Não Informado pela instituição
País: Não Informado pela instituição
Palavras-chave em Português:
Link de acesso: http://dspace.sti.ufcg.edu.br:8080/jspui/handle/riufcg/2324
Resumo: Este trabalho se propõe a analisar os elementos político-religiosos das práticas sociais internas e externas, fundamentais na construção de um projeto alternativo em Canudos, no Sertão da Bahia - 1983 - 97. O movimento social de Canudos em um só tempo, movimento de natureza religiosa e política. se, por um lado, apresenta a extraordinária figura carismática de Antônio Conselheiro como líder principal, responsável junto aos grupos pela direção e organização da produção religiosa, por outro lado, esse mesmo movimento também busca se afirmar enquanto recusa à ordem social vigente. Recusa que se expressa como resistência para além da opressão social, no desejo utópico de identidade e libertação pessoal e coletiva, intermediada no cotidiano pela realização de objetivos mais imediatistas dos grupos presentes. As representações sociais informam que a superação da situação imediata, refere-se à possibilidade de uma transformação social a partir da transformação individual no coletivo. Transformação esta realizada pelo imaginário religioso, pelo qual os grupos sociais elaboram, organizam e exercitam suas crenças e suas representações do mundo. Utopia aqui significa essa possibilidade em curso de um mundo social e "divino" que ainda está por existir, mas que se apresenta como "esperança" no conceito blochiano. A espera para os Canudenses era um tempo de preparação espiritual, rememoração do êxtase religioso de aproximação ou da união com Deus. E aqui reside a vinculação das práticas religiosas e as instituições políticas locais. Para concretização dos objetivos propostos, foram desenvolvidos três capítulos. No primeiro, procurou-se observar as relações sociais pertinentes no contexto sócio-político local - o do sertão de Canudos, consideradas de fundamental importância para a compreensão dos antecedentes dos movimentos. No segundo capítulo, a preocupação central foi ressaltar os aspectos cruciais do itinerário atormentado de antônio Conselheiro, cuja participação determinou os referenciais político-religiosos da comunidade canudense. Finalmente, no terceiro capítulo, é feita uma análise do universo das práticas sociais que justificam seus objetivos e deram sustentação político-ideológica ao movimento em questão. A conclusão geral a que se chegou, situa Canudos como sendo um movimento sócio-político de resistência contra o poder, com repercussão local e regiões circunvizinhas, em favor de um projeto alternativo de autonomia popular frente às instituições da sociedade sertaneja.