Interpelação, subjetivação e resistência: negociações em torno da vulnerabilidade socioeconômica na política de assistência estudantil na Universidade Federal de Campina Grande.
Ano de defesa: | 2023 |
---|---|
Autor(a) principal: | |
Orientador(a): | |
Banca de defesa: | |
Tipo de documento: | Tese |
Tipo de acesso: | Acesso aberto |
Idioma: | por |
Instituição de defesa: |
Universidade Federal de Campina Grande
Brasil Centro de Humanidades - CH PÓS-GRADUAÇÃO EM CIÊNCIAS SOCIAIS UFCG |
Programa de Pós-Graduação: |
Não Informado pela instituição
|
Departamento: |
Não Informado pela instituição
|
País: |
Não Informado pela instituição
|
Palavras-chave em Português: | |
Link de acesso: | http://dspace.sti.ufcg.edu.br:8080/jspui/handle/riufcg/29950 |
Resumo: | Nas últimas duas décadas, ao mesmo tempo em que a política de assistência estudantil vivenciou uma ampliação da cobertura e dos instrumentos através do decreto no 7.234/2010, também sofreu com a escassez de recursos. Para tanto, as IFES buscando compatibilizar os recursos disponíveis com as demandas, vem apropriando-se do conceito de vulnerabilidade socioeconômica utilizada pela Política Nacional de Assistência Social (PNAS) para construir novos instrumentos, índices e ferramentas que possibilitem classificar os candidatos “mais vulneráveis”. Como forma de identificar os agravantes de vulnerabilidade socioeconômica e recrutar os sujeitos “mais vulneráveis”, ao menos 14 das 69 universidades federais existentes no país até 2020, a exemplo da Universidade Federal de Campina Grande (UFCG), tem adotado o instrumento do relato familiar. Este constitui-se como um instrumento técnico- operativo de interpelação que convoca os estudantes a se pronunciarem através de uma narrativa sobre a sua situação socioeconômica. Sendo assim, esta pesquisa teve como objetivo analisar a resistência dos estudantes candidatos aos programas de assistência estudantil ao modo de subjetivação proposto pela interpelação da Pró- Reitoria de Assuntos Comunitários (PRAC), órgão responsável pela política na Universidade Federal de Campina Grande. A partir da análise das narrativas apresentadas por estes estudantes em seus relatos familiares, busca-se revelar como os candidatos interpretam a concepção institucional de vulnerabilidade socioeconômica e a ressignificam com base em suas experiências sociais da privação e do sofrimento, especialmente após o ingresso no ensino superior. A metodologia consistiu na análise textual discursiva de 574 relatos familiares referente aos estudantes que pleitearam os programas de assistência estudantil no semestre 2020.1, buscando produzir novas compreensões e interpretações sobre as narrativas dos estudantes acerca dos eixos centrais e transversais compostos pela família e pela renda. Com a pesquisa foi possível observar: uma resistência a incluir a família como elemento de vulnerabilidade socioeconômica, utilizando-se de uma narrativa pouco detalhada ou de um eufemismo retórico; um dilema moral entre estudar ou trabalhar para ajudar a família; uma imprevisibilidade de não saber ao certo se conseguirá permanecer e concluir o ensino superior; e a apresentação de uma narrativa de vulnerabilidade socioeconômica voltada para uma dimensão econômica e moral da necessidade de contribuir com a renda familiar. |