Da necessidade de uma “nova” escola só para moças: Henrique Castriciano de Souza e a modernidade pedagógica norte-riograndense (1911-1923).

Detalhes bibliográficos
Ano de defesa: 2016
Autor(a) principal: MARQUES NETO, Cosme Ferreira.
Orientador(a): Não Informado pela instituição
Banca de defesa: Não Informado pela instituição
Tipo de documento: Dissertação
Tipo de acesso: Acesso aberto
Idioma: por
Instituição de defesa: Universidade Federal de Campina Grande
Brasil
Centro de Humanidades - CH
PÓS-GRADUAÇÃO EM HISTÓRIA
UFCG
Programa de Pós-Graduação: Não Informado pela instituição
Departamento: Não Informado pela instituição
País: Não Informado pela instituição
Palavras-chave em Português:
Link de acesso: http://dspace.sti.ufcg.edu.br:8080/jspui/handle/riufcg/481
Resumo: Este trabalho visa examinar o projeto de modernidade pedagógica engendrado por Henrique Castriciano de Souza (1874 – 1947), que inaugurou um “pensar de outro modo” a educação moderna no Rio Grande do Norte, já que construiu novas formas de cada educanda se relacionar consigo mesma e com outrem, forjando novas estratégias políticas para a educação. Nascido na cidade de Macaíba, interior do RN, Castriciano foi apadrinhado pela oligarquia Albuquerque Maranhão, o que lhe permitiu desfrutar de uma posição de relevo na sociedade potiguar do começo do século XX. Graças à sua atuação na imprensa, sobretudo no jornal A República, pôde veicular suas ideias acerca da educação feminina no estado. Após uma estada na Europa (1909 – 1910), fundou as instituições que foram o cerne de seu projeto de modernidade pedagógica: a Liga de Ensino do Rio Grande do Norte (1911) e a Escola Doméstica de Natal (1914). Com esta, sob a influência de teorias europeias – notadamente a pedagogia ménagère –, pretendia que as mulheres potiguares dispusessem duma educação mais “sólida”, dita “científica”, baseada nas lides domésticas e num ensino teórico mais acurado. Dessarte, elas empreenderiam uma genuína “regeneração” na sociedade brasileira, já que ministrariam ensinamentos mais “cordatos” a seus filhos na primeira infância. Apesar das limitações dessa escola, sua importância não pode ser obliterada, pois diplomou mulheres que, devido aos conhecimentos adquiridos na instituição, puderam reforçar e, nalguns casos, encabeçar o orçamento familiar. Quanto aos referenciais teóricos, valemonos dos conceitos de moderno, modernidade e modernização (David Harvey et al.) , das noções de identidade e diferença (Estudos Culturais), e de práticas e representações sociais (Roger Chartier), da ideia de dialogismo (Mikhail Bakthin) e do conceito de habitus (Norbert Elias). No tocante às fontes, à luz da análise de sistemas de referência e da isotopia, metodologias emprestadas da Linguística, usamos os três volumes de Henrique Castriciano: seleta (textos e poesias), que contêm boa parte da produção escrita de Castriciano, e documentos referentes à Escola Doméstica de Natal e às produções de suas alunas.