Governamentalidade, educação e normalização: as práticas de subjetivação da Universidade Aberta à Maturidade.

Detalhes bibliográficos
Ano de defesa: 2013
Autor(a) principal: MEDEIROS, Almira Lins de.
Orientador(a): Não Informado pela instituição
Banca de defesa: Não Informado pela instituição
Tipo de documento: Tese
Tipo de acesso: Acesso aberto
Idioma: por
Instituição de defesa: Universidade Federal de Campina Grande
Brasil
Centro de Humanidades - CH
PÓS-GRADUAÇÃO EM CIÊNCIAS SOCIAIS
UFCG
Programa de Pós-Graduação: Não Informado pela instituição
Departamento: Não Informado pela instituição
País: Não Informado pela instituição
Palavras-chave em Português:
Link de acesso: http://dspace.sti.ufcg.edu.br:8080/jspui/handle/riufcg/1715
Resumo: Nesta Tese focalizamos formas de educação que visam o desenvolvimento por parte da pessoa idosa de uma determinada compreensão acerca de sua velhice e de como conduzi-la. A partir da suposição de que naquelas formas de educação analisadas repercutem estratégias de invenção de subjetividades saudáveis, da produção da homogeneização de idosos, e operando com a noção de governamentalidade, de Michel Foucault, investigamos este modo de intervenção do governo das pluralidades, explorando os meandros dessas vias de educação para verificar como são conduzidos os que nela transitam, averiguar os efeitos dessa condução e para dar a conhecer como nela se operam os jogos de poder através dos quais se produzem sujeitos adequados. Para tornar compreensíveis os processos de normalização da conduta da pessoa idosa ali conduzidos, descrevemos a Universidade Aberta à Maturidade (UAMA), da Universidade Estadual da Paraíba, a sua organização e seu modus operandis. A análise de documentos, de entrevistas, do registro da observação direta das aulas, das gravações em vídeo de algumas delas, dos textos didáticos, de filmes exibidos em sala de aula, dos textos produzidos pelos alunos e de suas respostas aos questionários a eles aplicados permitiu pensar as práticas operacionalizadas na UAMA como um conjunto de ações de promoção do envelhecimento ativo, propondo cuidados de saúde dos idosos a partir de soluções menos onerosas do que as oferecidas no mercado, tendo o mesmo se tornado possível na convergência de vários interesses. Nas suas práticas, fundadas em asserções das ciências do envelhecimento, utilizam-se maneiras de educar que já vinham sendo empregadas em ações de orientação terapêutica para convencer os idosos de que a transformação de sua forma de se conduzir é legítima. Para estruturar o campo de ação desses indivíduos, adequar suas escolhas sobre como viver aos objetivos de governo da velhice, promove-se o acesso deles a determinados conhecimentos sobre o processo de envelhecimento e o seu envolvimento em atividades que os permitam se reconhecer como sujeitos de direito, com o poder e a capacidade de empreender mudanças no seu modo de se conduzir. Ensinam-lhes como controlar sua atuação e os sentimentos dela decorrente. A interiorização do que foi aprendido, vivenciado, torna possível a elaboração de critérios para reger a sua atuação, avaliar a si e aos outros. Os idosos, compreendendo a necessidade de transformar o seu modo de vida, fazem uso das regras constituídas por meio das práticas, elegem os aspectos de si que devem transformar, conformam-se e resistem às verdades a que tiveram acesso, tudo para afastar de si os riscos de uma velhice não saudável. Aplicando-se em modificar a sua conduta, reconhecem em si os atributos do idoso ideal em que foram imersos na UAMA, encontrando-se os efeitos dessa educação na maneira como enxergam o mundo, e, nele, os idosos como ativos/saudáveis/socialmente desejáveis ou sedentários/doentes/indesejáveis, no âmbito de uma hierarquização que coloca o primeiro modelo como o de uma velhice superior e o segundo modelo como indicativo de uma velhice inferior.