Lesões em 224 baços de cães esplenectomizados e avaliação de técnicas alternativas para diagnóstico microscópico prévio

Detalhes bibliográficos
Ano de defesa: 2018
Autor(a) principal: Figueiredo, Rafael Souza
Orientador(a): Peixoto, Tiago da Cunha
Banca de defesa: Moreira, Eduardo Luiz Trindade, Meneses, Iris Daniela Santos, Barbosa, Vivian Fernanda
Tipo de documento: Dissertação
Tipo de acesso: Acesso aberto
Idioma: por
Instituição de defesa: Escola de Medicina Veterinária e Zootecnia
Programa de Pós-Graduação: Pós-graduação em Ciência Animal nos Trópicos
Departamento: Não Informado pela instituição
País: brasil
Palavras-chave em Português:
Área do conhecimento CNPq:
Link de acesso: http://repositorio.ufba.br/ri/handle/ri/31785
Resumo: O baço pode ser acometido por múltiplas doenças inflamatórias, hiperplásicas e neoplásicas, devido às suas características anatômicas e fisiológicas. Rotineiramente, frente à detecção de uma lesão proliferativa esplênica, os médicos veterinários costumam optar pela esplenectomia, antes de se obter o diagnóstico conclusivo da lesão, o que pode trazer consequência deletérias ao cão. O mais apropriado seria, contudo, a sua adoção, como medida terapêutica, apenas nos casos com comprovada indicação cirúrgica, o que pode ser estabelecido após o diagnóstico microscópico e prognóstico definidos. Objetivou-se determinar a frequência das lesões em baços de cães esplenectomizados no período de 12 anos (2006-2017), bem como avaliar a eficácia de técnicas de coleta de amostras - punção aspirativa por agulha fina (PAAF) ou biópsia esplênica por agulhas Tru-cut guiadas por ultrassom - de lesões proliferativas esplênicas em cães para diagnóstico microscópico prévio à esplenectomia. No estudo retrospectivo, verificou-se que a frequência de lesões não neoplásicas [50,45% (113/224)] e neoplásicas [49,55% (111/224)] esplênicas foi muito semelhante. Entre as neoplásicas, as de caráter maligno foram mais frequentes [79,27% (88/111)], sendo o hemangiossarcoma o mais comum [52,25% (58/111)], isto é, a possibilidade de ocorrência de uma neoplasia maligna foi cerca de 74% maior do que uma benigna. Em suma, verificou-se que em 60,71% (136/224) dos casos estudados, tratavam-se de lesões benigas e, portanto, não teriam indicação de esplenectomia. As técnicas de PAAF e a biópsia por agulha Tru-cut demonstraram ter baixo risco de complicações. Quanto à eficácia diagnóstica, pela PAAF obteve-se 71,43% (15/21) de diagnósticos conclusivos, sendo 60% (9/15) desses compatíveis com o resultado final realizado pela avaliação histopatológica, após a esplenectomia (padrão ouro). Já a biópsia por Tru-cut obteve 71,43% (5/7) de diagnósticos conclusivos e 28,57% (2/7) de inconclusivos. Dentre os conclusivos, em 100% dos casos o diagnóstico foi compatível com o padrão ouro. Desta maneira, visto a possibilidade da ocorrência de lesões esplênicas benignas em cães ser 1,52 vezes maior do que as malignas, associado ao fato de 67% das lesões não neoplásicas terem sido menores do que 3 cm, sendo 65,17% delas focais, o uso da PAAF e da biópsia por Tru-cut deve ser recomentado, sobretudo, para lesões esplênicas pequenas e focais, uma vez que tais técnicas representam boas alternativas para o estabelecimento do diagnóstico prévio a esplenectomia, o que pode reduzir o número de esplenectomias desnecessárias