Minério de ferro de alto teor no setor norte do domínio intracontinental do Orógeno Araçuaí, Bahia, Brasil: caracterização geológica e modelo evolutivo.

Detalhes bibliográficos
Ano de defesa: 2024
Autor(a) principal: Fernandes, Felipe Fagundes lattes
Orientador(a): Cruz, Simone Cerqueira Pereira lattes
Banca de defesa: Cruz, Simone Cerqueira Pereira lattes, Lobato, Lydia Maria lattes, Braga, Flávia Cristina Silveira lattes
Tipo de documento: Dissertação
Tipo de acesso: Acesso aberto
Idioma: por
Instituição de defesa: Universidade Federal da Bahia
Programa de Pós-Graduação: Programa de Pós-Graduação em Geologia (PGGEOLOGIA) 
Departamento: Instituto de Geociências
País: Brasil
Palavras-chave em Português:
Área do conhecimento CNPq:
Link de acesso: https://repositorio.ufba.br/handle/ri/41372
Resumo: A Sequência Metavulcanossedimentar Igaporã-Licínio de Almeida, localizada na região setentrional do setor intracontinental do Orógeno Araçuaí, tem se destacado pela ocorrência de hematititos com teor superior a 66% do peso em Fe. O objetivo geral do trabalho é compreender os processos responsáveis pelo enriquecimento hipogênico de ferro nos itabiritos dessa Sequência na Mina Pedra de Ferro (MPF). Foram determinadas características estruturais, petrográficas, microestruturais e químicas dos domínios ricos em ferro e de suas encaixantes, definidas as estruturas deformacionais, com interpretação da sucessão paragenética de alteração hidrotermal e do controle da mineralização, além da proposta de um modelo de evolução metalogenética. O estudo microestrutural permitiu a identificação de quatro tipologias de hematita, as quais foram associados às quatro fases de deformação (Dn-1, Dn, Dn+1 e Dn+1), sendo três compressivas, relacionadas com a inversão do Aulacógeno do Paramirim, e uma distensiva. Estudos geoquímicos de rocha total em itabiritos sugerem que o protólito dessas rochas foram depositados em uma bacia marinha restrita, com contribuição detrítica, em ambiente subóxico. A assinatura geoquímica para ETR é similar à de rochas com idade de deposição < 1.9 Ga. Os diagramas de distribuição de elementos terras-raras e elementos traço em rocha total foram comparados com os dados de quartzo-itabirito pouco hidrotermalizado do alvo Espírito Santo, situado e norte da MPF, com os resultados obtidos de itabirito do depósito Horto-Baratinha (Grupo Serpentina; Supergrupo Espinhaço) encaixado como fatia tectônica no Bloco Guanhães a leste da Serra do Espinhaço, e com dados de domínios hematíticos da zonas de alteração hidrotermal em arenitos da Chapada Diamantina Oriental, bem como de outras regiões do Brasil e do mundo. A semelhança entre os dados de ETR do itabirito do alvo Espírito Santo e do Grupo Serpentina, menos hidrotermalizado, com os itabiritos da área de estudo sugerem condições ambientais semelhantes de deposição para essas rochas. Análises químicas por LA-ICP-MS foram realizadas em cristais de hematita de duas tipologias (Hematita orientada segundo S0//Sn-1//Sn e cataclástica) e em magnetita. Notam-se duas assinaturas químicas distintas de ETR para a hematita orientada da MPF: (i) predominância de ETRP em relação a ETRL, anomalias negativas de Y e positivas de Eu; menores teores de ETRL em relação a rocha total e é bastante semelhante aos padrões observados em hematita de quartzo-itabiritos do alvo Espírito Santo; e (ii) maiores valores de ETRL e ETRP quando comparados com os valores de rocha total. Foram confeccionados diagramas multielementares que demonstram o enriquecimento sutil em ETR na geração cataclástica de hematita, além de elevadas quantidades de ETR em magnetita. Por fim, interpreta-se que zonas de cisalhamento inter e intrastratais relacionadas com a inversão do Aulacógeno do Paramirim promoveram a formação da foliação de transposição S0//Sn-1//Sn, sendo esse o controle na formação dos domínios de alto teor de ferro. Os dados sugerem que o enriquecimento em ferro ocorreu antes do desenvolvimento das dobras que controlam a morfologia do depósito. A cataclase colaborou na formação de fragmentos mais suscetíveis aos agentes intempéricos, mas em minério já enriquecido previamente. O processo formador do minério de alto teor é hipogênico, com a participação de fluidos oxidantes que levaram à cristalização de hematita a partir de magnetita e dissolução de quartzo.