Detalhes bibliográficos
Ano de defesa: |
2024 |
Autor(a) principal: |
Santos, Deivid Borges
 |
Orientador(a): |
Simões Neto, Natival Almeida
 |
Banca de defesa: |
Simões Neto, Natival Almeida
,
Coelho, Juliana Soledade Barbosa
,
Oliveira, Mariana Fagundes de
 |
Tipo de documento: |
Dissertação
|
Tipo de acesso: |
Acesso aberto |
Idioma: |
por |
Instituição de defesa: |
Universidade Federal da Bahia
|
Programa de Pós-Graduação: |
Programa de Pós-Graduação em Língua e Cultura (PPGLINC)
|
Departamento: |
Instituto de Letras
|
País: |
Brasil
|
Palavras-chave em Português: |
|
Área do conhecimento CNPq: |
|
Link de acesso: |
https://repositorio.ufba.br/handle/ri/41458
|
Resumo: |
Nesta dissertação, investiga-se a recorrência e a diversidade das construções com o verbo dar na Língua Portuguesa, com foco em sua fase arcaica, compreendida entre o século XIII e meados do século XVI. Para tal investigação, utiliza-se de 539 ocorrências do verbo dar oriundas de dados do Corpus Informatizado do Português Medieval. A análise desses dados se pauta nos pressupostos teóricos Linguística Cognitiva, amparada no modelo de Gramática de Construções, tal como elaborado por Goldberg (1995, 2006) e nos pressupostos da Linguística Funcional Centrada no Uso e na abordagem construcional de Traugott e Trousdale (2013), em especial. Parte-se, ainda, de resultados dos estudos cognitivo-funcionalistas sobre as construções com o referido verbo, tais como os de Salomão (1990) e Gonçalves (2005). Descreveu-se, então, em quais construções o verbo dar se fez presente no período arcaico, levando em consideração aspectos formais e semântico-funcionais. Dessa forma, nesta proposta, uniu-se a abordagem construcional da gramática ao campo da Linguística Histórica, ampliando as perspectivas tanto do estudo histórico da língua portuguesa quanto da abordagem construcionista aplicada ao português. Assume-se como hipótese inicial, neste trabalho, que a polissemia do verbo dar não é uma propriedade específica desse item léxico, mas uma característica que emerge das construções em que o verbo está inserido, enfatizando, assim, que o sentido das sentenças não é determinado apenas pelos sentidos individuais dos itens léxicos que as compõem, mas também pelas construções que instanciam as realizações atestadas. Assim, foi possível verificar a existência de 4 construções, distribuídas na seguinte frequência: 292 ocorrências de Transferência de Propriedade, identificada como a construção central (E se lhy lha non der, peyte o dano dobrado q(ue) end(e) ueer aquel a que non deu a carta); 161 ocorrências da Construção de Transferência Metafórica de Recurso (P(r)imero dou ma alma a Deus & a S(an)ta M(ari)a); 71 ocorrências de Construção com Verbo-Suporte (o d(i)to Juiz deu sentẽças ant(re) as d(i)tas p(ar)tes sob(re) lo d(i)to h(er)damẽto) e 15 ocorrências de Construção de Avaliação (Assy que o s(a~)c(t)o home~ Zozimas nom po^de e~tender o que ella dizia e~ ssua horaço~ mais dava elle por t(estemunha), classificada como a construção mais periférica na rede de construções com verbo dar. Os resultados apresentados comprovam a multifuncionalidade do verbo dar por se manifestar em variadas construções, possibilitando a elaboração de uma ampla gama de sentidos, que vão da transferência concreta de posse a usos metafóricos, avaliativos, causativos e modais. A presença em diferentes construções reflete sua relevância como verbo-pleno e verbo-suporte, especialmente em contextos de legitimação e atribuição de autoridade, como em fórmulas jurídicas e administrativas. Comprova-se a tese central da Gramática de Construções de que língua é constituída de pareamentos formasignificado, com os aspectos cognitivos e pragmáticos indispensáveis para a compreensão de seu funcionamento. |