Determinação da causa de morte e principais achados patológicos em tartarugas-verdes, Chelonia mydas no litoral norte da Bahia

Detalhes bibliográficos
Ano de defesa: 2020
Autor(a) principal: Silva, Danielle Nascimento lattes
Orientador(a): Lima, Alessandra Estrela
Banca de defesa: Lima, Alessandra Estrela, Matushima, Eliana Reiko, Uzêda, Rosângela Soares, Driemeier, David, Goldberg, Daphne Wrobel
Tipo de documento: Tese
Tipo de acesso: Acesso aberto
Idioma: por
Instituição de defesa: Universidade Federal da Bahia
Programa de Pós-Graduação: Programa de Pós-Graduação em Ciência Animal nos Trópicos (PPGCAT)
Departamento: Escola de Medicina Veterinária e Zootecnia
País: Brasil
Palavras-chave em Português:
Área do conhecimento CNPq:
Link de acesso: https://repositorio.ufba.br/handle/ri/41339
Resumo: Objetivou-se a partir deste estudo, avaliar os achados anatomopatológicos em tartarugas verdes (Chelonia mydas) e o seu impacto na conservação, correlacionando-os com a pesca, infecções parasitárias pelos espirorquídeos, bem como a identificação das patologias oculares. Foram necropsiados 61 animais (46 fêmeas e 15 machos) e, amostras de órgãos com lesão identificada na macroscopia, foram colhidos para avaliação histopatológica. Os dados de animais confirmados ou sugestivos de interação com a pesca foram registrados. Do total de tartarugas avaliadas, foi possível determinar a causa mortis em 90,2% das tartarugas, sendo 77% de ameaças naturais, 16,7% dos casos estavam associadas a interação antrópica e 3,3% foram inconclusivos. Com relação a causa mortis, 44,3% morreram de insuficiência respiratória aguda; 26,2% de sepse, 16,4% por caquexia/desnutrição, 4,9% tiveram colapso circulatório por tromboembolismo e 1,6% compactação gástrica. Nos casos inconclusivos, 3,3% não foram observadas alterações na macroscopia determinantes à morte. 3,3% das tartarugas foram submetidas à eutanásia. Para identificar a ocorrência de trematódeos da Família Spirorchiidae e as lesões causadas por estes parasitos, foram coletadas amostras fecais de 41/61 (68,3%) animais necropsiados, e destas, 6,5% apresentavam parasitos adultos, queestavam localizados na luz de grandes vasos. A avaliação coproparasitológica, possibilitou a identificação de três tipos de ovos de espirorquídeos, pela técnica de sedimentação. As lesões provocadas por estes parasitos foram granulomas na serosa do TGI (24,6%), esplenite parasitária (19,4%) e formação de trombos nas artérias, com consequente obstrução parcial ou total (14,7%) de sua luz. As artérias acometidas foram aortas esquerda e direita, tronco braquiocefálico, aorta dorsal e as artérias celíaca e mesentérica cranial. Os granulomas parasitários nas paredes dos vasos também foram observados; em 8,2% dos vasos havia trombos e formação granulomatosa na parede. Outra alteração observada nos vasos foi a proliferação de tecido fibroso ou endarterite (9,3%). Os achados microscópicos mais frequentes foram pneumonia com vasculite granulomatosa parasitária (54,1%), esplenite e vasculite granulomatosa parasitária (37,7%), nefrite e vasculite granulomatosa (34,4%), hepatite granulomatosa heterofílica (26,2%), coroidite com vasculite granulomatosa parasitaria (26,2%), miocardite parasitária (21,3%), gastrite com vasculite granulomatosa (19,8%) e adrenalite com vasculite granulomatosa (4,9%). A avaliação anátomo histopatológica do aparelho visual dos espécimes revelou, predominantemente, lesões de caráter neoplásico e inflamatório, sendo a fibropapilomatose (FP) a lesão mais frequente (58,9%), seguido da espirorquidíase (46,8%). Outras lesões oftálmicas incluíram a conjuntivite mucopurulenta, ceratite ulcerativa, perfuração de córneas, panoftalmites, phthisis bulbi, tecido cicatrical bilateral nas pálpebras e litíases nas glândulas de sal. Este estudo ratifica a importância do conhecimento dos processos patológicos que acometem as tartarugas marinhas, como os causados por ação antropogênica, infecções parasitárias ou doenças oculares, pois são alterações que podem impactar diretamente o manejo e conservação destas espécies.