Detalhes bibliográficos
Ano de defesa: |
2024 |
Autor(a) principal: |
Silva, Jéssica Carneiro da
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Orientador(a): |
Silva, Maria Cristina Vieira de Figueiredo |
Banca de defesa: |
Oushiro, Lívia,
Silva, Maria Cristina Vieira de Figueiredo,
Araujo, Silvana Silva de Farias,
Ivo, Ivana Pereira,
Teixeira de Sousa, Lilian |
Tipo de documento: |
Tese
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Tipo de acesso: |
Acesso aberto |
Idioma: |
por |
Instituição de defesa: |
Universidade Federal da Bahia
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Programa de Pós-Graduação: |
Programa de Pós-Graduação em Língua e Cultura (PPGLINC)
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Departamento: |
Instituto de Letras
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País: |
Brasil
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Palavras-chave em Português: |
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Área do conhecimento CNPq: |
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Link de acesso: |
https://repositorio.ufba.br/handle/ri/41186
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Resumo: |
Esta tese apresenta uma análise variacionista e descritiva das construções relativas (CRel) no português Sateré-Mawé das comunidades Vila Batista e Nova Alegria, ambas localizadas na zona rural de Parintins-AM, apoiando-se no aporte teórico-metodológico da Sociolinguística Variacionista e da Teoria da Mudança Linguística, com base em Weinreich, Labov e Herzog (2006 [1968]). Segue, também, a abordagem do contato linguístico e adota o enquadramento já desenvolvido no Projeto Vertentes do Português Popular do Estado da Bahia, para o estudo das comunidades rurais afro-brasileiras isoladas (Lucchesi; Baxter; Ribeiro, 2009). Para o tratamento metodológico dos dados, subdividiu-se a análise em duas: 1) uma variacionista, na qual foram fixados dois envelopes de variação: a variável resposta 1, referente às estratégias não-preposicionadas – a relativa neutra e a relativa resumptiva – e a variável resposta 2, reunindo as estratégias preposicionadas – a relativa pied-piping e a relativa cortadora; e 2) uma qualitativa, descritiva e interpretativa de outros tipos de CRel encontradas no corpus, tais quais: as relativas reduzidas de gerúndio, particípio e infinitivo; e as relativas sem relativizador. O foco desta investigação foi a correlação (Labov, 2006 [1966]) entre a relativa pied-piping (abonada pela gramática tradicional) e a relativa cortadora (uma estratégia inovadora no português brasileiro - PB), tendo como corpus dados reais de fala extraídos de 16 inquéritos com amostras do português falado como L2 pelos indígenas Sateré-Mawé das comunidades de Nova Alegria, Vila Batista (Parintins-AM) e Ponta Alegre (Barreirinha-AM). Essa amostra de fala vernácula pertence ao projeto Acervo do Português Vernáculo dos indígenas Sateré-Mawé de Parintins-AM (Simas; Lucchesi, 2020). Apoiando-se nos pressupostos teóricos da teoria da mudança linguística, pontua-se uma reflexão sobre a sócio-história do PB e do quadro sociolinguístico da Amazônia, partindo da proposta de Mattos e Silva (2004) e Lucchesi e Baxter (2009) de que as mudanças linguísticas observadas no PB em comparação ao português europeu podem ser explicadas pelo intenso contato linguístico entre falantes indígenas, portugueses e africanos, detalhando a composição étnico-sociolinguística constituída pelas línguas e pelos povos que estiveram em situação de contato, durante o período colonial, considerando as duas colônias portuguesas no Brasil e dando enfoque também ao cenário amazônico. Os dados foram analisados quantitativamente através da plataforma R e do controle de variáveis previsoras linguísticas e sociais, com a finalidade de responder quais fatores linguísticos e sociais atuam no uso das relativas do português indígena. Os resultados obtidos com as análises quantitativa e qualitativa indicam que a relativização no português Sateré-Mawé apresenta convergências com o português popular brasileiro por expressar resultados semelhantes àqueles encontrados em outras variedades do PB (Tarallo, 1983, 1993a, 1993b; Ribeiro, 2009; Ribeiro e Figueiredo, 2009; Lucchesi, 2015; Carneiro, 2018; Silva, E. 2020). Ao produzirem majoritariamente relativas não marcadas e relativas morfologicamente simples, esse fato reflete os efeitos indiretos do contato linguístico e da polarização sociolinguística sobre a variedade popular do PB que foi adquirida como L2 pelos falantes Sateré-Mawé no Amazonas, durante o período de sua constituição sociolinguística. Esses fatos permitem defender, nesta tese, duas características da relativização no português Sateré-Mawé: (i) convergências com o português popular brasileiro, pela predominância de relativas neutras e cortadoras; e (ii) indícios da própria língua Sateré-Mawé, evidenciados pela presença de relativas reduzidas e sem o relativizador. |