Onda de calor altera mudança de fase em recife de coral

Detalhes bibliográficos
Ano de defesa: 2020
Autor(a) principal: Meira, Verena Henschen
Orientador(a): Cruz, Igor
Banca de defesa: Dobrovolski, Ricardo, Longo, Guilherme
Tipo de documento: Dissertação
Tipo de acesso: Acesso aberto
Idioma: por
Instituição de defesa: Istituto de Biologia
Programa de Pós-Graduação: Programa de Pós Graduação em Ecologia: Teoria, Aplicação e Valores
Departamento: Não Informado pela instituição
País: Brasil
Palavras-chave em Português:
Área do conhecimento CNPq:
Link de acesso: http://repositorio.ufba.br/ri/handle/ri/34028
Resumo: A mudança de fase é caracterizada por uma alteração abrupta na estrutura de uma comunidade em resposta a um distúrbio que seja capaz de romper a resistência do sistema, deslocando-o de sua variação natural. Este fenômeno foi reconhecido em diversos ecossistemas e, com frequência, os cientistas apontam as atividades humanas como causadoras da mudança de fase. Contudo, as reações das comunidades em mudança de fase à distúrbios antrópicos vêm sendo negligenciadas pela comunidade acadêmica. Nas últimas décadas, ondas de calor resultantes das mudanças climáticas têm se tornado cada vez mais frequentes e intensas, afetando especialmente os recifes de coral. Como resultado, eventos de branqueamento em massa de corais estão se tornando cada vez mais recorrentes, sendo reconhecidos como a principal causa do declínio das populações de corais nos ecossistemas recifais em escala global. Em 2019, uma onda de calor sem precedentes atingiu o Atlântico Sul causando branqueamento em massa de corais nos recifes da Baía de Todos os Santos (BTS), em recifes dominados por corais e dominados por zoantídeos, com uma elevação de temperatura das águas superficiais nunca registrada em uma série histórica de 34 anos. Nós analisamos os efeitos desta anomalia térmica sobre a resistência dos recifes da BTS em mudança de fase para a dominância do zoantídeo Palythoa cf. variabilis. Utilizando dados de cobertura bentônica de 2003, 2007, 2011, 2017 e 2019, analisamos 6 recifes da BTS: 3 em condições desejáveis (dominados por corais) e 3 em condições indesejáveis (dominados por Palythoa cf. variabilis). Para cada recife, estimamos a cobertura de corais, de zoantídeos, de P. cf. variabilis e de Palythoa caribaeorum e o branqueamento de corais e de P. cf. variabilis. Houve redução na cobertura de corais em recifes normais no período anterior à anomalia térmica de 2019, porém, não houve variação significativa após a onda de calor e a estrutura da comunidade destes recifes não foi alterada. Nos recifes em mudança de fase, a cobertura de zoantídeos não se alterou significativamente no período anterior ao evento de 2019, porém, após este evento, houve redução na cobertura destes organismos nestes recifes. Nosso trabalho revelou que a resistência da comunidade em mudança de fase foi quebrada e sua estrutura foi alterada, indicando que os recifes nesta condição foram mais suscetíveis ao distúrbio do branqueamento do que os recifes normais.