Saberes e estratégias de gestão de agroecossistemas familiares no Alto Solimões-AM: uma contribuição ao ensino das ciências ambientais
Ano de defesa: | 2018 |
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Autor(a) principal: | |
Outros Autores: | |
Orientador(a): | |
Banca de defesa: | |
Tipo de documento: | Dissertação |
Tipo de acesso: | Acesso aberto |
Idioma: | por |
Instituição de defesa: |
Universidade Federal do Amazonas
Centro de Ciências do Ambiente Brasil UFAM Rede Nacional para o Ensino das Ciências Ambientais |
Programa de Pós-Graduação: |
Não Informado pela instituição
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Departamento: |
Não Informado pela instituição
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País: |
Não Informado pela instituição
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Palavras-chave em Português: | |
Link de acesso: | https://tede.ufam.edu.br/handle/tede/6869 |
Resumo: | A pesquisa teve como objetivo principal construir um produto técnico educacional para o ensino de ciências ambientais, a partir de uma orientação pedagógica de compreensão e visibilização dos saberes dos agricultores familiares no complexo processo de gestão dos agroecossistemas de várzea da microrregião do Alto Solimões. Para isso, foi necessário identificar, no âmbito dos agroecossistemas, os processos de trabalho familiar, caracterizar como é percebida e constituída a renda para as famílias de agricultores e descrever, de forma transversal, como são formuladas as estratégias de gestão de agroecossistemas familiares. A proposta de pesquisa teve como instrumento epistemológico norteador o paradigma da complexidade sistêmica e como delineamento de intervenção de campo o Estudo de Caso único, com unidades múltiplas de análise. O estudo foi realizado na localidade denominada Comunidade Praia de Fátima, pertencente ao município de Tabatinga-AM, Alto Solimões. Participaram da pesquisa 57,1% das famílias de agricultores que vivem na localidade e, para coleta dos dados, foram realizadas entrevistas, trilhas culturais, oficina para confecção de mapas cognitivos e observação direta. Os resultados permitem compreender que os agroecossistemas familiares de várzea da microrregião são altamente complexos e dinâmicos, pois estão localizados em ambientes influenciados por eventos climáticos, principalmente relacionados à inundação e precipitação, que, apesar de periódicos, são incertos quanto as suas intensidades e durações. Logo, todas as atividades agrícolas realizadas pelos agricultores, principalmente as de cultivos agrícolas, extrativismo vegetal, criação animal, pesca e caça, bem como suas estratégias de trabalho, são organizadas e formuladas a partir de um importante condicionante ambiental, o pulsar das águas. Foi também possível observar que, a produção para autoconsumo é realizada em todas as atividades agrícolas e representa uma importante fonte de renda não monetária para a família. Ao manter internamente sua unidade produtiva, o grupo doméstico depende cada vez menos das condições externas ao agroecossistema para se reproduzir biológica, social e economicamente, garantindo sua autonomia no processo decisório. Além disso, a comercialização do excedente da força de trabalho, os benefícios previdenciários, os programas de transferência de renda e a realização de atividades não agrícolas, caracterizadas como pluriatividade, garantem renda monetária à família, permitindo a aquisição de mercadorias necessárias para seu abastecimento. As relações de troca e reciprocidade também configuram se como uma importante estratégia de reprodução social e econômica nos agroecossistemas. Logo, a pesquisa resultou na construção de um kit didático, que busca facilitar a aprendizagem crítica e reflexiva no ambiente escolar sobre o cotidiano dos agricultores familiares que vivem em ambientes de várzea. O material busca visibilizar a complexidade que permeia o processo de tomada de decisão dos agricultores familiares, considerando que estes têm no pulso das águas seu cronograma ambiental de trabalho e geração de renda. |