Morfofisiologia digestiva de Potamotrygon wallacei Carvalho, Rosa e Araujo (2016): uma espécie de arraia ornamental amazônica

Detalhes bibliográficos
Ano de defesa: 2023
Autor(a) principal: Machado, Rubia Neris
Outros Autores: https://lattes.cnpq.br/2053051169267663
Orientador(a): Não Informado pela instituição
Banca de defesa: Não Informado pela instituição
Tipo de documento: Dissertação
Tipo de acesso: Acesso aberto
Idioma: eng
Instituição de defesa: Universidade Federal do Amazonas
Faculdade de Ciências Agrárias
Brasil
UFAM
Programa de Pós-Graduação em Ciência Animal e Recursos Pesqueiros
Programa de Pós-Graduação: Não Informado pela instituição
Departamento: Não Informado pela instituição
País: Não Informado pela instituição
Palavras-chave em Português:
Link de acesso: https://tede.ufam.edu.br/handle/tede/9671
Resumo: Este estudo é uma contribuição à morfologia e fisiologia digestiva da arraia de água doce Potamotrygon wallacei, uma espécie de elasmobrânquio neotropical endêmica da bacia do Rio Negro (Amazônia Central). Embora seja popular como peixe ornamental, a manutenção desta espécie em cativeiro frequentemente resulta em morte devido aos problemas alimentares e estresse devido ao confinamento. O objetivo do estudo foi investigar detalhadamente a anatomia e a fisiologia do trato digestório (TD) desta arraia. Quanto aos aspectos morfológicos utilizou-se de técnicas em histologia convencional e ferramentas em estereologia para descrever e quantificar as diversas camadas presentes no estômago e intestino espiral. Os aspectos funcionais do TD foram examinados por meio das atividades das principais enzimas digestivas que atuam na proteólise, lipólise e hidrólise de carboidratos. Para compreender as interrelações entre a digestão dos macronutrientes (proteínas, lipídios e carboidratos), um modelo teórico foi avaliado por meio de modelagem de equações estruturais (MES). Morfologicamente, o esôfago possui pregas horizontais. As quatro camadas histológicas são distinguíveis: mucosa, submucosa, muscular (músculo estriado esquelético) e serosa. O epitélio estratificado da mucosa possui numerosas células mucosas PAS+ e azul de Alcian+, indicando secreção de mucinas neutras e ácidas, respectivamente. Atividades residuais de enzimas proteolíticas, lipolíticas e carboidratases foram encontradas no esôfago. Contudo, estas enzimas podem representar atividades endógenas intracelulares, o que sugere um limitado papel na digestão luminal dos macronutrientes ingeridos. O estômago tem formato de U. A porção descendente representa a região cardíaca, enquanto a ascendente é a pilórica. Independente da região, as camadas histológicas da parede estomacal incluem: mucosa, submucosa, muscular (com camadas internas e externas) e serosa. No estômago cardíaco, a camada mucosa representa 44,7% do volume total da parede do órgão. As glândulas gástricas (um componente da mucosa) ocupam quase metade do volume da camada mucosa. Enzimas proteolíticas tipo pepsina, tripsina, quimiotripsina e elastase, além das lipases, fosfatases ácidas, esterases e carboidratases estão presentes. Isto indica que o estômago cardíaco tem elevado potencial para digerir proteínas, lipídios e alguns carboidratos. A densidade de glândulas gástricas diminui e tornam-se ausentes no estômago pilórico. Isto explica uma redução na capacidade das enzimáticas digestivas. Porém, a musculatura lisa da parede do estômago pilórico torna-se espessa devido a maior proporção de músculo liso na muscular interna (circular). Tal mudança sugere um papel ativo do estômago pilórico no processo de mistura e auxílio na passagem do quimo para o intestino espiral. O intestino espiral (válvula espiral) possui 10-11 voltas histologicamente constituídas de epitélio colunar simples, lâmina própria (tecido conjuntivo frouxo) e músculo liso disperso. O epitélio é quase que exclusivamente formado por células absortivas (enterócitos) e raras células mucosas. A lâmina própria possui numerosos vasos sanguíneos. A parede da válvula espiral possui as quatros camadas teciduais: mucosa, submucosa, muscular e serosa. A densidade de tecido epitelial tende a diminuir, enquanto, aumenta-se a proporção de submucosa. Isto indicando uma tendência na capacidade de transporte de nutrientes para os vasos sanguíneos. O intestino espiral é a sede final da digestão das proteínas, lipídios e carboidratos. As elevadas atividades das endopeptidases (tripsina, quimiotripsina e elastase), bem como da exopeptidase, leucina aminopeptidase, reforçam o potencial proteolítico da válvula espiral na digestão das proteínas. A capacidade lipolítica e hidrólise de carboidratos também são elevadas neste local. Os modelos baseados em MES sugerem forte dependência entre estas três vias catabólicas nos diferentes órgãos do trato digestivo. Por fim, os dados morfológicos e das enzimas digestivas são consistentes com as informações sobre a dieta de P. wallacei, uma arraia carnívora que consome especialmente crustáceos, larvas de insetos e pequenos peixes. Os resultados deste estudo podem contribuir para o desenvolvimento de boas práticas de manejo na alimentação das arraias em cativeiro, visando a preservação da espécie e o bem-estar dos indivíduos em ambientes confinados.