Entre conflitos familiares e resoluções consensuais: a judicialização em tempos de humanização da Justiça
Ano de defesa: | 2020 |
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Autor(a) principal: | |
Outros Autores: | |
Orientador(a): | |
Banca de defesa: | |
Tipo de documento: | Tese |
Tipo de acesso: | Acesso aberto |
Idioma: | por |
Instituição de defesa: |
Universidade Federal do Amazonas
Instituto de Filosofia, Ciências Humanas e Sociais Brasil UFAM Programa de Pós-graduação em Antropologia Social |
Programa de Pós-Graduação: |
Não Informado pela instituição
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Departamento: |
Não Informado pela instituição
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País: |
Não Informado pela instituição
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Palavras-chave em Português: | |
Link de acesso: | https://tede.ufam.edu.br/handle/tede/8013 |
Resumo: | A presente tese se propôs a investigar os modos pelos quais a judicialização das famílias se incrementa através dos chamados métodos adequados de resolução de conflitos no âmbito da justiça humanizada. Para tanto, com base na etnografia realizada no Centro Judiciário de Solução de Conflitos e Cidadania – CEJUSC Polo Avançado Manaus, buscou-se tecer uma leitura crítica sobre o movimento designado como humanização da Justiça e as tecnologias conciliatórias, bem como evidenciar as construções discursivas e representações sobre as famílias partilhadas pelos agentes e pelos sujeitos que demandam os serviços do judiciário. Situando-se entre os conflitos familiares e as resoluções consensuais, foi possível apreender tanto caráter relacional e complementar (apesar de não uniforme) dos discursos oficiais, das práticas dos agentes e dos modos de funcionar das famílias, quanto os sentidos controversos acerca das vivências familiares e das propostas oficiais de resolução de seus conflitos. Questões como reconciliação, rapport, comunicação não violenta, ambiente emocional, sensibilidade, traumas, alienação parental, dentre outras categorias discutidas neste trabalho, evidenciaram o viés psicológico que tem alimentado as novas biopolíticas e tecnologias destinadas à gestão dos conflitos familiares no judiciário. Assim, sem se despir de sua lógica judicializante, o sistema de Justiça adquire uma nova roupagem tida mais sensível às questões emocionais, com profissionais multi-especializados, abarcando uma gama de novos “direitos” e, sobretudo, com um modo de operar distinto. Em suma, as experiências em campo permitiram etnografar os conflitos familiares e perceber as lógicas, as retóricas, os sentidos e as representações presentes nas políticas e tecnologias construídas e operadas cotidianamente tanto pelos agentes quanto pelas famílias para dar conta dos conflitos que chegavam até o Judiciário, trazendo à tona a complexidade, os efeitos e desdobramentos dos novos modelos e intervenções que se capilarizam no campo social de modo acrítico e que são tidos como ferramentas inovadoras, humanizadas e capazes de ajudar as famílias. |