Dinâmicas das estratégias matrimoniais entre povos indígenas: processos diferenciados de territorialização e territorialidades específicas em Manaus
Ano de defesa: | 2022 |
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Autor(a) principal: | |
Outros Autores: | , |
Orientador(a): | |
Banca de defesa: | |
Tipo de documento: | Tese |
Tipo de acesso: | Acesso aberto |
Idioma: | por |
Instituição de defesa: |
Universidade Federal do Amazonas
Instituto de Filosofia, Ciências Humanas e Sociais Brasil UFAM Programa de Pós-graduação em Antropologia Social |
Programa de Pós-Graduação: |
Não Informado pela instituição
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Departamento: |
Não Informado pela instituição
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País: |
Não Informado pela instituição
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Palavras-chave em Português: | |
Link de acesso: | https://tede.ufam.edu.br/handle/tede/9284 |
Resumo: | A presente investigação antropológica foi construída a partir de reflexão sobre as configurações de estratégias matrimoniais indígenas na região metropolitana de Manaus e suas possibilidades de análise acerca dos processos diferenciados de territorialização e de consolidação de territorialidades indígenas nesta região. Inicialmente a identificação de casais compostos por cônjuges de povos de origens diversas se deu a partir das relações de pesquisa ou da evidência desses agentes sociais da pesquisa no movimento indígena, seja político ou cultural. A pesquisa objetivou de modo geral refletir por meio da etnografia e da cartografia social sobre a (re)produção de unidades sociais na região metropolitana de Manaus tendo como objeto as estratégias matrimoniais entre indígenas de povos diferentes. Buscou descrever etnograficamente os processos de mobilidade, fixação, territorialidade, territorialização e identidade étnica a partir dessas alianças matrimoniais, identificar a partir dos agentes sociais da pesquisa e de suas histórias de vida verificar como se dá a construção de suas identidades étnicas e de seus respectivos grupos condicionada pela situação da pandemia. A pesquisa utilizou-se da etnografia com entrevistas presenciais e mediadas por telefone celular e redes sociais, contando com registros audiovisuais, depoimentos e com revisão bibliográfica relacionada aos temas que comporam a investigação. A estrutura da tese conta com cinco capítulos onde no primeiro capítulo apresento o campo, a partir de apresentação das unidades sociais da comunidade de Nossa Senhora do Livramento, do Parque das Tribos, da comunidade Três Unidos, da comunidade do Grupo Bayaroá, do restaurante Biatüwi em Manaus e da Terra Indígena Beija-Flor em Rio Preto da Eva e da aldeia Tururukari-Uka em Manacapuru, finalizando com reflexão sobre os povos indígenas e a região metropolitana de Manaus. No segundo capítulo trato das “regras matrimoniais” como estratégias de reprodução social, alianças e unidades sociais indígenas na grande Manaus. Neste capítulo discute-se sobre que atos deliberados são constituídos na consolidação de identidades coletivas. Realiza-se de maneira concomitante uma análise crítica da “dicionarização erudita” acerca da aliança em Lowie, Murdock e Schultz da reflexão crítica sobre que unidades sociais estamos tratando, discutindo-se a partir de revisão bibliográfica sobre os conceitos e/ou categorias significativas de unidades sociais, a saber: de povo, nação, grupo étnico, comunidade e tribo, encerrando-se o capítulo com uma discussão sobre territórios pluriétnicos. O terceiro capítulo por sua vez, reflete criticamente sobre a história social das interpretações sobre alianças na antropologia. Para esta discussão elaborou-se revisão bibliográfica sobre as teorias da aliança a partir de Morgan, Cushing, Boas, Rivers, Malinowski e Leach, buscando possíveis desconstruções das ideias de regras e modelos sociais para as alianças e organizações sociais humanas. Seguindo com o quarto capítulo, ode apresento as histórias de vida dos quinze casais que compõem a pesquisa. Finaliza-se com o quinto capítulo, apresentando as acepções das mulheres rionegrinas sobre estratégias de casamentos e os processos diferenciados de territorialização e territorialidades específicas indígenas a partir dos depoimentos de quinze casais e das contribuições de três mulheres da associação das mulheres indígenas do Alto rio Negro, onde apresenta-se o processo de territorialidade específica de cada unidade social da pesquisa. As considerações a que se chegou recaem sobre a observação de que as alianças matrimoniais em seus variados arranjos e contextos, contribuem para o fortalecimento e (re)construção de identidades étnicas individuais e coletivas perpassando por diversas esferas da vida social como a religião, a economia, as expressões artísticas e culturais e a política. Sobre os casais colaboradores da pesquisa é possível observar que suas alianças se constituíram nas diversas esferas, logo reiteramos que as alianças também são fruto de contextualizações, assim como estratégias quando se trata de indígenas em processos de territorialização e territorialidades em territórios que não os seus de origem, como é o caso de Manaus. A sugestão mais potencial foi a de propor a construção de uma categoria analítica para explicar esse fenômeno do casamento entre povos indígenas de diferentes etnias, pois ao tentar utilizar a categoria de casamento interétnico, nos parece ser importante utilizar categoria analítica coerente. Principalmente porque esta categoria refere-se fortemente a casamentos entre povos indígenas e não indígenas e é amplamente utilizada e convencionada a este sentido, embora essas alianças entre diferentes povos indígenas também sejam consideradas interétnicas. |