Museu Magüta, uma trajetória Ticuna: a colaboração como método no estudo de coleções etnográficas e na formação de museus indígenas.
Ano de defesa: | 2022 |
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Autor(a) principal: | |
Outros Autores: | , |
Orientador(a): | |
Banca de defesa: | |
Tipo de documento: | Tese |
Tipo de acesso: | Acesso aberto |
Idioma: | por |
Instituição de defesa: |
Universidade Federal do Amazonas
Instituto de Ciências Humanas e Letras Brasil UFAM Programa de Pós-graduação em Antropologia Social |
Programa de Pós-Graduação: |
Não Informado pela instituição
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Departamento: |
Não Informado pela instituição
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País: |
Não Informado pela instituição
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Palavras-chave em Português: | |
Link de acesso: | https://tede.ufam.edu.br/handle/tede/9322 |
Resumo: | Neste trabalho, investigamos o processo que resultou na construção do Museu Magüta, iniciada nos últimos anos da década de 1980. A trajetória de objetos da cultura Ticuna, presentes na formação do acervo desse museu indígena e em diferentes coleções etnográficas pelo mundo, foi o ponto de partida para refletir acerca das transformações pelas quais passou o Museu Magüta durante sua história e das estratégias adotadas pelos indígenas para a sua manutenção. O Museu Magüta foi inaugurado, em janeiro de 1991, no município de Benjamin Constant (Amazonas, Brasil). Foi resultado do que hoje podemos chamar de um projeto de colaboração. Esta iniciativa provocou uma grande mobilização indígena para coletar objetos que pudessem dar substância à representação Ticuna. A noção de que o estudo dos objetos e de seus materiais trariam a estabilidade necessária à compreensão do que seja um museu indígena se apoiou na ideia de que os objetos não são apenas signos ou símbolos; eles nos conformam e nos constituem. Por meio do estudo dos materiais de que são feitos e da circulação desses materiais que dão origem à forma das coisas, podemos compreender que a vitalidade dessas relações reside justamente em dar forma e não na forma acabada. O olhar sobre o processo de colaboração e as mudanças vividas pelo Museu Magüta e seu acervo conta com o estudo também das coleções de outras instituições: de Spix e Martius, no Museum Fünf Kontinente; de Borys Malkin, no Museum der Kulturen Basel; de Johann Natterer, no Weltmuseum Wien; das coleções de peças Ticuna no Museu Etnológico de Berlim e de projetos de colaboração entre museus etnológicos e museus indígenas. A metodologia utilizada compreende um trabalho de campo – realizado em etapas nos anos de 2015, 2016 e 2019, na cidade de Benjamin Constant, e em 2018-2019, em Munique, Alemanha – e se ampara na análise dos inúmeros dados levantados, no registro fotográfico das peças dos acervos do Magüta e dos museus europeus, entrevistas, conversas informais e documentos produzidos no âmbito do Museu Magüta. Pudemos observar que a apropriação que os Ticuna fizeram das estratégias de construção de um museu tornou possível o seu protagonismo na produção de símbolos e imagens sobre si mesmos. Por fim, a minha análise sobre esses fatos considerou o acervo do Museu Magüta e suas peculiaridades de coleta e exposição, bem como as ações e os usos que os indígenas fazem do Museu no cotidiano. Isto permitiu enxergar melhor tanto a dimensão propriamente museológica como a dimensão política de que é feito o cotidiano do Museu. |