Encantados do fundo do rio: cosmogonia, residualidade e imaginário poetizante-estetizador em Identidade Cabocla, de Alfredo Saunier

Detalhes bibliográficos
Ano de defesa: 2024
Autor(a) principal: Nunes, Silvia da Silva
Outros Autores: https://lattes.cnpq.br/7356464623192613
Orientador(a): Não Informado pela instituição
Banca de defesa: Não Informado pela instituição
Tipo de documento: Dissertação
Tipo de acesso: Acesso aberto
Idioma: por
Instituição de defesa: Universidade Federal do Amazonas
Faculdade de Letras
Brasil
UFAM
Programa de Pós-graduação em Letras
Programa de Pós-Graduação: Não Informado pela instituição
Departamento: Não Informado pela instituição
País: Não Informado pela instituição
Palavras-chave em Português:
Link de acesso: https://tede.ufam.edu.br/handle/tede/10810
Resumo: Nesta dissertação, propõe-se um estudo panorâmico entre cosmogonia, residualidade e imaginário poetizante-estetizador a partir dos encantados do fundo do rio que protagonizam as narrativas “O boto namorador”, “A bôta” e “Boiúna: a Cobra Grande” de Identidade Cabocla (2013), do escritor parintinense Alfredo Saunier. Desse modo, os objetivos deste estudo estão organizados da seguinte forma: investigar as questões sobre cosmogonia, residualidade e imaginário poetizante-estetizador nas narrativas de Identidade Cabocla; compreender sobre a cosmogonia presente no imaginário da cultura amazônica por meio das narrativas de Identidade Cabocla; e apresentar a literatura amazônica sob a perspectiva dos estudos residuais e identificar o imaginário poetizante-estetizador a partir dos encantados do fundo do rio. Para desenvolver as discussões, utilizamos leituras fundamentadas no Imaginário amazônico e na Cultura amazônica, Mito e Imaginário, na Literatura comparada e na Residualidade Literária e Cultural. Sobre Imaginário amazônico e Cultura amazônica, tomamos como principais os olhares de Loureiro (1995), Krüger (2003), Fraxe (2007; 2004), Maués (2006; 2005), Barbosa (2011), Sicsú (2013), Santos (2017) e Simas (2021). Acerca de Mito e Imaginário, utilizamos como principais autores Barreto (2021; 2013), Baniwa (2019; 2016), Vidal (2009), Krenak (2022), Cordeiro (2017), Laplatine e Trindade (1997), Durand (2001) e Pitta (2017). No que se refere à Literatura comparada, destacamos as percepções de Carvalhal (1994), Nascimento (2014), Pontes (2022; 2017; 2015) e Silva e Martins (2020). A análise de Identidade Cabocla verificou que o rio se comporta na cultura como lugar consagrado de criação, capaz de gerar um plano onde estão os encantados do fundo, os quais se manifestam de alguma maneira na realidade do amazônida. A imagem estética dos encantados, Boto, Bôta e Cobra Grande, como seres de admirável beleza ou de bicho enorme, implica que o imaginário amazônico é poetizante-estetizador, ao ter como base material a natureza que os revela, estetizando-os na realidade amazônica. Tais seres se configuram como resíduos de outros povos indígenas amazônicos e desembocam com novas roupagens na cultura cabocla ribeirinha.